Num colóquio sobre os desafios do jornalismo num mundo em crise, Maria Flor Pedroso, diretora de informação da RTP, realçou que devem ser os jornalistas a cuidar do jornalismo, através da deontologia.."O jornalismo cuida-se com as normas deontológicas. Tem um código deontológico que não é para emoldurar", disse..Maria Flor Pedroto explicou que entende o jornalismo como um serviço público e que os jornalistas devem continuar a perguntar, a querer saber, a confrontar e a verificar para "não caírem nas garras das 'Fake News'"..Por seu lado, Luísa Meireles, diretora de informação da agência Lusa, considerou que "o rigor é uma arma poderosa no jornalismo", sendo confundido, segundo defendeu, com a crise no modelo de negócio..Dando o exemplo da Lusa, Luísa Meireles reconheceu que a agência de notícias tem como "'business' produzir notícias", "produzi-las rapidamente sem prejudicar o rigor", dando credibilidade à empresa: "aqui [Portugal] e no mundo lusófono em geral", frisou..Para Graça Franco, diretora de informação da Rádio Renascença, há uma luta que tem de ser travada contra a preguiça no jornalismo.."Há uma luta que temos de travar imediatamente, que é contra a preguiça. A todos os níveis. O que vamos selecionar, o que vamos dar importância. Se aquilo que outros estão a falar é importante", interrogou, alertando para "o desprezo pelo código deontológico" e para a ignorância do mesmo..No último debate do colóquio "Sete vidas -- o futuro do jornalismo", o diretor de Informação da SIC e diretor-geral de informação do grupo Inpresa, Ricardo Costa, defendeu que há uma questão que mudou tudo no jornalismo, que foi a revolução tecnológica.."O algoritmo do Facebook e do Google precisam de 'Fake News' para obterem mais 'likes'. Funciona através de progressão geométrica básica, que trabalha em função dos nossos gostos e indiferente ao que é real", sublinhou Ricardo Costa, demonstrando preocupação..Por seu lado, o ex-diretor do Expresso Pedro Santos Guerreiro afirmou que a tecnologia tornou obsoleto o modelo de negócio e não o jornalismo.."Nunca esquecemos aquilo que nos torna especiais, o compromisso. O nosso compromisso é com a sociedade, com o país", disse, recordando que o poder do jornalismo resulta sempre do leitor..Pedro Santos Guerreiro sublinhou também que a tecnologia não só pode garantir mais leitores como também novas ferramentas..De acordo com Manuel Carvalho, diretor do Público, o jornalismo deve ser contrapoder, deve estar do lado contrário do Estado, defendendo as subscrições de jornais como nos Estados Unidos, Brasil ou Noruega.."Eu recuso-me a um cenário no qual a comunicação é patrocinada, financiada, pelo Estado. Acho que isso é uma antítese total daquilo que é o nosso papel enquanto jornalistas. Nós temos de estar do outro lado do poder. Somos claramente contrapoder", declarou..Por sua vez, Armando Esteves Pereira, diretor-geral editorial-adjunto da Cofina, considerou que houve "pirataria" por parte das plataformas digitais, originando a migração da publicidade dos jornais para a internet..O colóquio "Sete vidas -- o futuro do jornalismo" decorreu este fim de semana no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, onde foram discutidos vários temas relacionados com o futuro do jornalismo português, ao longo de sete debates.