Dia da Cidade do Funchal marcado pela tragédia do Monte que fez 13 mortos

A queda do carvalho que provocou 13 mortes e 49 feridos no Largo da Fonte, na terça-feira, dia de Nossa Senhora do Monte, padroeira da Madeira, marcou hoje os discursos das celebrações do 509º aniversário da Cidade do Funchal.

"Há dia de celebração como o de hoje, o de aniversário da nossa cidade, em que as comemorações perdem a vontade, em que as cerimónias destituem-se de significado, em que os discursos não encontram palavras", disse o presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafôfo.

O autarca realçou que a vida tem de continuar, que as vítimas não podem ser esquecidas e que há o dever de perceber o que aconteceu, de "apurar responsabilidades, de assumir responsabilidades e de ter, na verdade, a única resposta para o que aconteceu", declarou.

"As responsabilidades serão apuradas e assumidas", salientou.

Em representação do Governo Regional, o secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, referiu, por seu lado, que o Funchal "está de luto", mas que "o Governo Regional da Madeira confia nas instituições e acredita que estas tudo farão para que se promova o cabal esclarecimento das razões que levaram às ocorrências do passado dia 15, visando a resposta que deve ser dada à população e a respetiva assunção de responsabilidades".

O vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, Miguel de Sousa, lamentou, igualmente, a tragédia e transmitiu que, da parte do parlamento, "dentro das competências legais, terá certamente a disponibilidade para ser útil na elaboração de matéria legislativa que a experiência autárquica aconselhar".

O presidente da Assembleia Municipal do Funchal, Rodrigo Trancoso, disse também que a cidade está de luto e apelou aos partidos que, nesta matéria, ajam "acima das naturais divergências políticas".

Os partidos com representação na Assembleia Municipal lamentaram as mortes e pediram celeridade no apuramento das responsabilidades por parte do Ministério Público.

Um carvalho de grande porte e com duas centenas de anos abateu terça-feira no Largo da Fonte, no Monte, sobre várias pessoas que aguardavam pela passagem da procissão da Nossa Senhora do Monte, causando 13 mortos (dois dos quais estrangeiros, de nacionalidades francesa e húngara) e 49 feridos, seis dos quais encontram-se ainda no hospital.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?