"Crise do clima" vence-se com transição e eficiência energéticas - especialistas

Beja, 26 abr 2019 (Lusa) - A substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis e o uso de equipamentos que consomem menos energia são as principais respostas para combater as alterações climáticas e "vencer a crise do clima", defenderam hoje dois especialistas.

Filipe Duarte Santos, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, e Ricardo Campos, da organização "The Climate Reality Project", criada em 2016 pelo ativista ecológico, 45.º vice-presidente dos Estados Unidos da América e Prémio Nobel da Paz em 2007 Al Gore, falavam à agência Lusa à margem do simpósio "Alterações Climáticas e Agricultura", que decorre desde hoje e até sábado, em Beja, integrado no programa da feira agropecuária Ovibeja.

"A principal resposta [para combater as alterações climáticas] é a transição energética", dos combustíveis fosseis, como o gás, o carvão e o petróleo, para as energias renováveis, "mas também uma maior preocupação com a eficiência energética", ou seja, com o uso de equipamentos que consomem menos energia, disse Filipe Duarte Santos, também professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Segundo Ricardo Campos, "para vencer a crise climática, em primeiro lugar, é preciso tomar uma grande consciência da situação a que chegámos, acelerar a transição energética, libertando-nos dos combustíveis fósseis, que são a energia do passado e têm de ficar no passado, e melhorar a eficiência energética".

"Estamos perante a paridade na rede, isto é, o ponto em que as energias renováveis começam a ficar mais baratas do que as produzidas através dos combustíveis fósseis" e "com a aceleração da transição energética e com a maior penetração das energias renováveis vamos reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e limitar as alterações climáticas e vencer a crise climática", frisou Ricardo Campos.

Por isso, frisou Filipe Duarte Santos, "temos um clima com fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes e mais intensos, como ondas de calor, secas, períodos de precipitação muito intensa e em intervalos de tempo curtos", os quais têm como "consequências" desastres naturais e fogos florestais.

"Temos que nos adaptar a um clima mais quente e mais seco", sublinhou Filipe Duarte Santos, referindo que tal "é possível" com "medidas de adaptação".

Para o setor da agricultura, o da Ovibeja, Filipe Duarte Santos sugeriu várias soluções e medidas de adaptação, como aumentar a disponibilidade de água, nomeadamente através da reutilização de águas residuais urbanas e dessalinização, melhorar a gestão da água disponível e escolher e adaptar as culturas a um clima mais seco e quente.

Segundo os dois especialistas, há "uma série" de "pequenas grandes coisas" que os cidadãos "podem fazer" para contribuírem para a transição e a eficiência energéticas e, desta forma, ajudarem a "vencer a crise do clima".

Os especialistas destacaram como "contributos importantes" optar por comprar veículos automóveis elétricos, viajar menos em viatura própria e mais em transportes públicos, produzir a energia que se consome através de microgeração, poupar energia e fazer mais reciclagem.

No entanto, frisou Ricardo Campos, "aquela que, muito provavelmente, será a grande medida é as pessoas tornarem-se um pouco ativistas para pressionar o poder político a acelerar as mudanças que são necessárias".

"Não podemos esperar até 2050 para tomar medidas, temos que acelerar as medidas hoje e, por isso, o ativismo é muito importante para usarmos a nossa voz e o nosso voto para pressionar o poder político a tomar as decisões que urgem tomar", sublinhou Ricardo Campos, referindo que combater as alterações climáticas e salvar o planeta "é a maior luta de todos os tempos, é a luta pela nossa sobrevivência".

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