CP diz estar a tentar resolver falta de ligação do Sud Expresso mas sem sucesso

A CP - Comboios de Portugal disse hoje estar a tentar resolver com as congéneres de Espanha e França a falta de ligação do TGV com o Sud Expresso, o que obriga a fazer o transbordo por meios próprios.

O Público noticiou na terça-feira que o comboio francês TGV vindo de Paris e Bordéus já não termina a viagem na localidade espanhola de Irún, de onde parte o Sud Expresso para Lisboa, ficando antes na localidade francesa de Hendaya, devido ao facto de o TGV agora usado ser de dois pisos.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da CP disse que esta "situação teve início em 02 de julho" e que a espanhola Renfe justificou com "restrições operacionais" causadas pelo TGV 'duplex'.

Desde então, a empresa pública diz que "tem mantido contactos com a [espanhola] RENFE e a [francesa] SNCF" para tentar resolver a situação, mas sem sucesso.

A transportadora ferroviária portuguesa adiantou que tentou que o Sud Expresso passasse a ter início em Hendaya, em vez de ser em Irún, mas que a francesa "SNCF não aceitou por questões regulamentares".

"Em seguida, foi proposta uma solução alternativa, em conjunto com a RENFE e a SNCF, que passou pela disponibilização de uma ligação rodoviária", disse a CP, acrescentando que tal foi aceite mas apenas para os meses de julho e agosto.

Assim, desde setembro, os passageiros que queiram mudar do TGV para o Sud Expresso ficam em Irún e têm de, pelos seus próprios meio,s ir para a estação de Hendaya. Os utentes podem fazê-lo de táxi (numa distância de cerca de cinco quilómetros) ou usando o comboio Euskotren, tendo de comprar bilhete à parte.

A CP diz, por fim, que "prossegue contactos" com a espanhola RENFE e a francesa SNCF para "ultrapassar este constrangimento para os clientes e melhorar a eficiência da ligação entre as duas ofertas, precisamente por considerar a importância da ligação entre os comboios SUD Expresso e a oferta da SNCF".

O comboio Sub Expresso tem partidas diárias desde Lisboa -- Santa Apolónia até à cidade francesa de Hendaya, onde tem ligação ao francês TGV que vai para Paris em Bordéus. Neste sentido, a ligação mantém-se sem alterações.

É no sentido inverso que há problemas, uma vez que o francês TGV devido a ter dois pisos de domingo a sexta-feira (a exceção é o sábado) já não vai à cidade espanhola de Irún, ficando em Hendaya.

O Comboio Sud Expresso transportou 76 mil passageiros até final do mês de novembro deste ano, disse a CP à Lusa. Já em 2016 transportou 78.844 pessoas, acima das 76.492 de 2015.

A empresa pública diz que "continua a trabalhar para melhorar o serviço, procurando aumentar a sua atratividade e os níveis de procura, para atingir melhores condições da sua sustentabilidade económica".

O Sud Expresso é muito usado por passageiros que vêm da região de Bordéus ou de outras zonas de França e que preferem viajar para Portugal de comboio, surgindo como alternativa ao avião sobretudo para quem fica no centro de Portugal (uma vez que para em localidades como Guarda, Mangualde ou Santa Comba Dão). É ainda usado por espanhóis uma vez que tem paragens nas cidades como San Sebastian e Vitória.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

Conhecem a última anedota do Brexit?

Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A escolha de uma liberdade

A projeção pública da nossa atividade, sobretudo quando, como é o caso da política profissional, essa atividade é, ela própria, pública e publicamente financiada, envolve uma certa perda de liberdade com que nunca me senti confortável. Não se trata apenas da exposição, que o tempo mediático, por ser mais veloz do que o tempo real das horas e dos dias, alargou para além da justíssima sindicância. E a velocidade desse tempo, que chega a substituir o tempo real porque respondemos e reagimos ao que se diz que é, e não ao que é, não vai abrandar, como também se não vai atenuar a inversão do ónus da prova em que a política vive.

Premium

Marisa Matias

Penalizações antecipadas

Um estudo da OCDE publicado nesta semana mostra que Portugal é dos países que mais penalizam quem se reforma antecipadamente e menos beneficia quem trabalha mais anos do que deve. A atual idade de reforma é de 66 anos e cinco meses. Se se sair do mercado de trabalho antes do previsto, o corte é de 36% se for um ano e de 45%, se forem três anos. Ou seja, em três anos é possível perder quase metade do rendimento para o qual se trabalhou uma vida. As penalizações são injustas para quem passou, literalmente, a vida toda a trabalhar e não tem como vislumbrar a possibilidade de deixar de fazê-lo.