Costa defende que é preciso continuar a afirmar em Portugal a igualdade de género

O primeiro-ministro considerou hoje que é preciso manter na primeira linha o objetivo da igualdade de género em Portugal, mesmo no plano legislativo, apesar dos progressos registados no país desde a revisão do Código Civil de 1977.

Esta advertência foi deixada por António Costa antes de assinalar o Dia Internacional da Mulher com um almoço na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, Lisboa, em que estiveram presentes 18 figuras femininas com posições relevantes na sociedade portuguesa.

Com a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, a escutá-lo, António Costa, no seu breve discurso, rejeitou a tese de que a dinâmica da evolução social, por si só, resolva os problemas de desigualdade de género e defendeu que a igualdade entre homens e mulheres "não é um favor, mas um benefício para todos".

"Não podemos ter a ilusão que este é um percurso que está concluído e que o exemplo do sucesso destas mulheres nas suas carreiras seja já o paradigma da sociedade portuguesa. Não é. Por isso, é necessário prosseguir a afirmação da igualdade em todos os domínios", sustentou.

António Costa apontou em concreto três desafios: A necessidade de erradicação de todas as formas de violência, em particular a doméstica e a de género; a conciliação entre as vidas profissional e familiar; e o combate à desigualdade salarial entre homens e mulheres, que é maior nas profissões com mais elevadas exigências de qualificação.

"Temos de prosseguir uma trajetória crescente da igualdade de género em todas as funções de responsabilidade. Quando há duas décadas foi introduzida a primeira lei da paridade [na representação de cargos políticos] muitos diziam que era desnecessária, porque, pela natureza das coisas, a sociedade resolveria o problema. Mas, aquilo que tem sido demonstrado, infelizmente, é que são sempre necessárias medidas legislativas para assegurar os mínimos previstos na lei e que dinâmica social não tem resolvido este problema", vincou.

Na sua breve intervenção, o líder do executivo também se referiu aos progressos registados em Portugal desde a revisão do Código Civil de 1977 e, tendo perto de si a presidente do Sindicatos dos Jornalistas, Sofia Branco, deu como exemplo de evolução os progressos registados ao nível da presença de mulheres na comunicação social.

António Costa começou por dizer que, momentos antes de iniciar o seu discurso, Sofia Branco lhe transmitiu a informação de que as mulheres representam cerca de 48% do total de jornalistas em Portugal.

A seguir, para evidenciar o contraste com a realidade atual, falou no caso dos primeiros anos de vida profissional da sua mãe, a jornalista Maria Antónia Palla, na década de 60, "quando se contavam com os dedos das mãos as jornalistas profissionais".

"Recordo-me sempre de ela contar que, quando foi admitida no jornal Diário Popular, lhe disseram que tinha sido contratada porque já havia uma sala para ela. Entendia-se então que não devia conviver com os outros elementos [homens] da redação. De facto, a vida no jornalismo é um sinal do que mudou", observou.

Neste almoço com o primeiro-ministro, estiveram presentes personalidades da vida financeira como Elisa Ferreira (vice-governadora do Banco de Portugal), Gabriela Figueiredo Dias (presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários), Cristina Casalinho (presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) e Célia Reis (empresária), assim como desportistas, casos da antiga campeã olímpica Rosa Mota e da atleta Patrícia Mamona.

Entre as 18 figuras femininas estiveram várias em representação dos setores da cultura, da ciência e letras, casos de Ana Pires (astronauta), Fernanda Fragateiro (artista plástica), Mónica Bettencourt-Dias (diretora do Instituto Gulbenkian Ciência), Justa Nobre (?chef' de cozinha), Filipa Lowndes Vicente (historiadora da arte), Maria João Antunes (professora universitária), Marlene Monteiro Freitas (bailarina) e Sofia Branco (presidente do Sindicato dos Jornalistas).

Estiveram ainda na residência oficial do primeiro-ministro figuras como a primeira mulher general das Forças Armadas, Regina Mateus, a primeira submarinista da Marinha, Noémie Freire, e a presidente da CRESAP, Maria Júlia Murta Ladeira.

Exclusivos