COMENTÁRIO: Sporting B empata com Braga B e impede terceiro lugar aos minhotos

Um golo de Rafael Leão, aos 90 minutos, deu hoje o empate ao Sporting B em Braga 1-1 e retirou à equipa secundária dos minhotos aquele que seria um inédito terceiro lugar na II Liga de futebol.

À entrada no minuto 90 e dados os resultados das outras equipas, os bracarenses eram terceiros classificados, mas uma desatenção numa bola parada deitou tudo a perder e, de um lugar no pódio, o Braga B 'caiu' para a sétima posição, ainda assim a sua melhor classificação de sempre, ao passo que os 'leões' se quedaram pelo 14.º lugar.

Joca inaugurou o marcador aos 52 minutos, mas Rafael Leão empatou aos 90, numa partida em que os bracarenses foram quase sempre melhores, diante de uns desgarrados 'leões' que tiveram dificuldade em adaptar-se a um pouco habitual 3x5x2.

Apesar da frustração final, o Braga B fez uma excelente temporada, potenciando vários jogadores, como Artur Jorge ou Xeka, e promovendo ainda o treinador Abel Ferreira.

O Sporting B podia ter inaugurado o marcador aos 10 minutos, com Leonardo Ruiz, já na pequena área, a cabecear por cima, mas depois desse lance os minhotos tomaram conta do jogo.

A toada manteve-se no início da segunda parte, pelo que o golo de Joca, aos 52 minutos, surgiu com naturalidade: Martínez 'descobriu' Ogana, que desviou para a baliza, Stojkovic ainda a sacudiu sobre a linha de golo, mas Joca fez a recarga vitoriosa, tornando-se no melhor marcador da equipa, com 12 golos.

Depois de mudar para 4x3x3 com a primeira substituição, o Sporting B melhorou quase de imediato e, pouco depois, podia mesmo ter empatado, mas Leonardo Ruiz, isolado por Aouacheria, perdeu demasiado tempo e permitiu o corte de Queirós (67).

Mas durou pouco esse maior fulgor dos 'leões', o Braga B voltou a estar por cima e podia ter 'matado' o jogo aos 81 minutos, mas Martínez falhou na cara de Stojkovic.

João Aroso demorou muito a mexer na equipa e, quando parecia ter o jogo controlado, o Sporting Braga B permitiu o empate aos 90 minutos, com Rafael Leão, de cabeça, a desviar para o fundo da baliza, após um livre da esquerda.

Jogo no Estádio 1º de Maio, em Braga.

Sporting de Braga B - Sporting B, 1-1.

Ao intervalo: 0-0.

Marcadores:

1-0, Joca, 52 minutos.

1-1, Rafael Leão, 90.

Equipas:

- Sporting de Braga B: Tiago Pereira, Anthony D'Alberto, Inácio, Queirós, Simão, Loum, Jordão, Martínez (Trincão, 90+1), Joca (Edelino Ié, 88), Leandro (Rúben Alves, 63) e Ogana.

(Suplentes: Harillo, Pedro Matos, Edelino Ié, Trincão, De Kong, Rúben Alves e Midana).

Treinador: João Aroso.

- Sporting B: Stojkovic, Fidel Escobar, Kiki, Ivanildo Fernandes, Bubacar, Edu, Guima, Aouacheria, Diogo Nunes (David Sualehe, 72), Ronaldo (Elói, 60) e Leonardo Ruiz (Rafael Leão, 68).

(Suplentes: Diogo Sousa, Elou, Guilherme, David Sualehe, Elves, Leão e Fábio Martins).

Treinador: Luís Martins.

Árbitro: Pedro Vilaça (Associação de Futebol de Viana do Castelo).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Kiki (60).

Assistência: cerca de 800 espetadores.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.

Premium

Adriano Moreira

Entre a arrogância e o risco

Quando foi assinada a paz, pondo fim à guerra de 1914-1918, consta que um general do Estado-Maior Alemão terá dito que não se tratava de um tratado de paz mas sim de um armistício para 20 anos. Dito ou criado pelo comentarismo que rodeia sempre acontecimentos desta natureza, o facto é que 20 anos depois tivemos a guerra de 1939-1945. O infeliz Stefan Zweig, que pareceu antever a crise de que o Brasil parece decidido a ensaiar um remédio mal explicado para aquela em que se encontra, escreveu no seu diário, em 3 de setembro de 1939, que a nova guerra seria "mil vezes pior do que em 1914".