CNRT, segundo partido timorense, reúne domingo conferência nacional

O Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), segunda força política timorense, reúne-se no domingo em Conferência Nacional para, entre outros temas, "revogar" duas resoluções aprovadas em agosto e aprovar a retoma do mandato pleno do presidente do partido, Xanana Gusmão.

Arão Noé, chefe da bancada do partido, disse à Lusa que esses eram os dois aspetos na agenda da reunião que está previsto durar apenas um dia e que decorrerá na sede nacional do CNRT, em Díli, onde está já um pequeno cartaz a saudar os participantes.

"A conferência nacional é só de um dia e tem o propósito de revogar as duas resoluções que aprovámos [na Conferência nacional] em agosto sobre a posição do CNRT e ainda aprovar a retoma do pleno mandato pelo presidente", explicou.

Questionado sobre se serão aprovadas eventuais resoluções adicionais, Arão Noé disse que a decisão caberia à conferência, afirmando desconhecer se Xanana Gusmão vai ou não participar.

"A bancada foi apenas convidada pela Comissão Política Nacional que é quem convocou a conferência", explicou.

Fonte próxima a Xanana Gusmão confirmou à Lusa que o líder timorense "não participa" na conferência.

A Lusa tentou, sem êxito, contactar com vários membros da Comissão Política Nacional (CPN) para confirmar mais aspetos da agenda da reunião, de que a imprensa não foi até agora informada oficialmente, e para confirmar se Xanana Gusmão, ausente do país há várias semanas, estará ou não presente.

Xanana Gusmão tem previsto participar no inicio da próxima semana na cidade australiana de Brisbane numa ronda negocial relacionada com o futuro desenvolvimento do campo Greater Sunrise, no âmbito das negociações sobre o novo tratado de fronteiras marítimas com a Austrália.

O encontro estava inicialmente marcado para a cidade australiana de Perth, onde Xanana Gusmão era esperado domingo, mas foi adiado para Brisbane a pedido das empresas petrolíferas envolvidas, confirmou a Lusa.

Recorde-se que, no rescaldo das eleições legislativas de 22 de julho - em que o CNRT foi o segundo partido mais votado atrás da Fretilin, que obteve apenas mais 1.135 votos - o partido reuniu-se numa Conferência Nacional que decorreu quase totalmente à porta fechada.

No discurso de abertura da conferência Xanana Gusmão anunciou a sua demissão da presidência que, no final da reunião do partido acabou 'suspensa' até à realização de um Congresso Extraordinário, com o líder timorense a ficar "sem plenos poderes".

No mesmo encontro o partido aprovou uma outra resolução em que determinava que se manteria na oposição durante a atual legislatura, indo de encontro à posição defendida por Xanana Gusmão.

"O partido CNRT decide estar no Parlamento Nacional como oposição, querendo, deste modo, continuar a contribuir no processo de construção do Estado e de construção da Nação, para consolidar a transição democrática neste país", disse Xanana Gusmão.

O líder histórico timorense foi taxativo, afirmando que "o partido não aceitará propostas, de ninguém, nem convidará nenhum partido para formar coligações, porque não pretende participar no governo" e que não se vai repetir o que ocorreu em 2007, quando o CNRT foi o segundo mais votado atrás da Fretilin mas "para resolver a crise que o país vivia", optou por formar uma aliança de maioria parlamentar.

Na sequência da tomada de posse do VII Governo, formado por uma coligação minoritária com o apoio da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e do Partido Democrático (PD), o CNRT juntou-se aos restantes partidos da oposição [Partido Libertação Popular (PLP) e Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO)] numa nova Aliança de Maioria Parlamentar (AMP).

A AMP ofereceu-se já ao Presidente da República como alternativa de governação no caso da queda do Governo caso, como ocorreu em outubro, a oposição volte a chumbar pela segunda vez o programa do Governo.

O executivo liderado por Mari Alkatiri anunciou que vai apresentar o segundo programa em conjunto com um Orçamento Retificativo para 2017 "até ao final do ano".

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