Câmara do Porto anuncia "apoio extraordinário" para TEP e Festival de Marionetas

O presidente da Câmara do Porto revelou hoje que pretende dar um "apoio extraordinário" ao Teatro Experimental do Porto (TEP) e ao Festival de Marionetas, caso seja recusado o "recurso" à exclusão do programa da Direção-Geral das Artes (DGArtes).

"Tanto o TEP como o FIMP - Festival Internacional de Marionetas do Porto apresentaram recursos hierárquicos. Contudo, não vamos esperar. A Câmara garantiu a estas duas estruturas um apoio extraordinário por dois anos [se os recursos não tiverem provimento], que deve ser apresentado e aprovado na próxima reunião do executivo [agendada para 05 de junho]", revelou o independente Rui Moreira aos jornalistas, no fim da apresentação do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI).

Segundo o autarca, estão em causa, durante dois anos, 70 mil euros anuais para cada uma das entidades, num total de cerca de 280 mil euros a atribuir pela Câmara, se os recursos à decisão da DGArtes não tiverem provimento.

Rui Moreira justificou o apoio a estas duas estruturas por ambas terem "coproduções já programadas com o Teatro Rivoli".

"A nossa prioridade foi valer às estruturas que para nós são fundamentais, sob pena de não ter conteúdos [no Teatro Municipal do Porto]", explicou Rui Moreira.

De acordo com o presidente da Câmara, o valor deste "apoio de emergência" pretendeu "replicar o montante" do financiamento da DGArtes às duas estruturas em 2017.

"Foram 70 e tal mil euros para cada uma, por ano", disse.

Moreira lembrou que tanto o TEP como o FIMP "apresentaram recursos hierárquicos" e, se estes "tiverem provimento", o apoio camarário "deixa de fazer sentido".

Para o diretor artístico do TEP, Gonçalo Amorim, o facto de aquela estrutura ter sido colocada "numa situação de inelegibilidade" pela DGArtes "é totalmente incompreensível e injusta", tanto mais que ocorreu num "contexto de muitos reforços orçamentais".

Gonçalo Amorim, que é também o diretor artístico do FITEI, considerou a decisão relativa ao TEP como "um sinal político péssimo".

"Esta incapacidade crónica de reconhecermos o bom trabalho que as pessoas fazem assusta-me, mas estarei cá também para a luta e para tentar ganhar o recurso hierárquico", afirmou.

A 15 de maio, foi anunciado que 68 entidades das 71 candidaturas elegíveis para apoios ao teatro iriam ser apoiadas no âmbito do programa de apoio sustentado às artes, no período 2018-2021.

Na área do teatro, concorreram ao programa 90 entidades, 68 das quais receberam financiamento depois de protestos do setor, que se seguiram à divulgação dos resultados preliminares, que colocavam de fora várias companhias históricas do país.

Dessas 90, 71 foram consideradas elegíveis e, destas, por sua vez, três ficaram de fora de financiamento (associação cultural Primeiros Sintomas, associação Liberdade Provisória e Teatro A Bruxa).

Os resultados finais conhecidos a 15 de maio mantiveram como inelegíveis companhias como o TEP e a Seiva Trupe e iniciativas como o FIMP, entre outras.

Os concursos do Programa de Apoio Sustentado da DGArtes, para os anos de 2018-2021, partiram com um montante global de 64,5 milhões de euros, em outubro, subiram aos 72,5 milhões, no início de abril, perante a contestação no setor.

Mais tarde, o Governo anunciou novo reforço para um total de 81,5 milhões de euros, tendo o valor final sido de 83,04 milhões, segundo publicação em Diário da República.

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