Câmara da Figueira da Foz quer autores de furtos no estádio municipal punidos

O presidente do município da Figueira da Foz manifestou-se hoje intransigente e disponível para colaborar com a Justiça para que sejam punidos os autores de vandalismo e furtos no estádio municipal, depois de um assalto ocorrido no sábado.

"Seremos absolutamente intransigentes e colaboradores com a Justiça para chegar à autoria material do crime. Basta de vandalismo, custa muito ao erário público", disse à agência Lusa João Ataíde.

Na manhã de sábado, dois homens foram identificados pela PSP da Figueira da Foz no interior das instalações do estádio municipal José Bento Pessoa - infraestrutura desportiva que está encerrada, deteriorada e à espera de requalificação - quando alegadamente procediam ao furto de material metálico e sucata, dali retirado e colocado num furgão.

Na ocasião, segundo fontes da autarquia, um dos homens alegou que estaria no local a cumprir ordens e a mando de Marco Figueiredo, antigo colaborador da Naval 1.º de Maio (clube que utilizou o estádio durante mais de 20 anos, mediante protocolo, denunciado pela autarquia por incumprimento em 2014) e atual vice-presidente da Naval 1893, associação que sucedeu desportivamente àquela agremiação.

"Isso é uma calúnia, arranjou essa desculpa para se safar porque sabia que eu era da Naval", disse à Lusa Marco Figueiredo, admitindo conhecer um dos suspeitos de furto, que "é amigo de um amigo" e já terá prestado serviços de recolha de "coisas velhas" à Naval 1893.

O estádio municipal, sublinhou Marco Figueiredo, "é um espaço enorme que desde que saiu das mãos da Naval está ao abandono", com portas abertas e acessível a qualquer pessoa, e já foi vandalizado e assaltado "várias vezes".

Marco Figueiredo pôs ainda a hipótese de vir a agir criminalmente contra o denunciante "por difamação".

"Para já não vou fazer nada, não sei o que aí vem, mas se ele diz que fui eu [o mandante do furto] vai ter de o provar", frisou.

O dirigente assumiu ter recebido um telefonema do suspeito na manhã de sábado (alegadamente feito na presença de um responsável da autarquia e dos agentes da PSP que tomaram conta da ocorrência) quando estava "a meio caminho de Elvas", onde se deslocou com a equipa de futebol de juvenis.

"Perguntei o que se estava a passar e respondi que não tenho nada a ver com isso. E não tenho", declarou.

Na semana passada, um camião-grua de recolha de sucata com três ocupantes foi visto a carregar material, durante o dia, junto ao recinto (que, embora propriedade do município, é conhecido como o estádio da Naval), mas a sua presença terá sido ignorada, porque quem o avistou pensou que ali estava a serviço camarário.

Nessa altura, foi detetado o desaparecimento de torniquetes e de outros materiais, sendo que, de acordo com a Câmara Municipal (no distrito de Coimbra), os furtos e atos de vandalismo no estádio José Bento Pessoa ascendem a dezenas de milhares de euros de prejuízos.

Os danos já identificados incluem o desmantelamento da estrutura metálica da 'manga' extensível que os jogadores de futebol usavam para percorrer o caminho entre os balneários e o relvado, a retirada de torniquetes junto à bancada central com recurso a um maçarico, o desaparecimento de torneiras em casas de banho que foram destruídas e vandalizadas, portas e painéis laterais e até os bancos de suplentes, entre outros.

A Lusa confirmou, junto da PSP, a ocorrência da manhã de sábado, mas a fonte policial não indicou porque é que os dois suspeitos, detetados em flagrante delito, não foram detidos, remetendo outras informações para um comunicado a divulgar hoje.

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