Câmara abre a porta a hotel no antigo Sintra Cinema na Portela

O antigo Sintra Cinema, no bairro da Portela, deverá ser adaptado para hotel, associado a uma superfície comercial e um auditório para atividades culturais, segundo um projeto hoje apresentado no departamento de Urbanismo da autarquia.

O projeto "Sintra Auditorium" prevê a adaptação do antigo Sintra Cinema, equipamento construído na década de 1940, para uma unidade hoteleira com uma área de 3.525 metros quadrados (m2), para 54 quartos e 108 camas, de acordo com o pedido de informação prévia aprovado pela autarquia.

Uma superfície comercial com 1.500 m2 no piso térreo, que se prolonga num corpo edificado horizontal para o terreno de uma vivenda abandonada, na Rua Álvaro de Vasconcelos, dois pisos de estacionamento em cave, para 93 viaturas, e um auditório com 800 m2, para 200 lugares, completam o projeto.

"Isto é projeto de requalificação urbana e é a transformação do icónico Sintra Cinema no Sintra Auditorium", salientou o arquiteto Salvador Martins, acrescentando que a intervenção procurou olhar para "todo o quarteirão" em que o antigo cinema está inserido.

O projetista considerou que "seria redundante" manter o auditório no espaço do Sintra Cinema, onde se localizará a entrada nobre do hotel e quartos, pelo que se manterá apenas a histórica fachada e o auditório será transferido para um novo corpo com a imagem do antigo equipamento cultural, mas numa "forma mais contemporânea".

Além da definição de raios de viragem e espaços de largadas de passageiros, numa zona rodoviária frequentemente congestionada, o arquiteto destacou a preservação do equilíbrio entre o Sintra Cinema e os alinhamentos do quarteirão.

"Esta operação contempla uma oferta de comércio, uma unidade hoteleira, que não existe e que fazia falta à Portela de Sintra, e um auditório que aporta uma oferta cultural também inexistente, substituindo a do velho Sintra Cinema, que está inativo há cerca de 50 anos", frisou José Justino.

O sócio-gerente da empresa Valreal mostrou-se satisfeito por o projeto permitir recuperar um imóvel com "uma utilização financeiramente viável, o que não se apresentava fácil".

O promotor espera que o projeto, "além da reabilitação do próprio quarteirão em que se encontra, venha a ter um efeito catalisador na oferta de serviços de apoio e complementares, criando mais de uma centena de postos de trabalho diretos e indiretos e uma nova dinâmica do próprio bairro da Portela".

O também presidente da empresa Galucho explicou que o pedido de licenciamento será entregue em breve na autarquia e que o auditório será utilizado pela câmara, apesar de ainda não estar "definido o modo de cedência" do espaço.

O gerente da Valreal disse ainda não dispor de uma estimativa do investimento do projeto, que será financiado pela parte hoteleira e comercial, e assegurou que "foram feitos estudos de tráfego que indicaram que não havia sobrecarga de circulação" na zona.

"A câmara não pode conviver com o abandono de zonas nobres, que devem ser requalificadas e devolvidas à população", afirmou o presidente da autarquia, no distrito de Lisboa, que classificou o projeto como uma parceria entre "o interesse privado e o interesse da comunidade".

Segundo Basílio Horta (PS), o auditório funcionará "também como um teatro municipal", onde os grupos do concelho possam ensaiar e levar ao palco o seu programa.

O autarca confia na capacidade de o projeto mostrar aos empresários que "a câmara está ao seu lado" e anunciou que, no espaço do departamento de urbanismo, será criada "a cidade administrativa de Sintra", concentrando todos os serviços municipais dispersos pela vila.

O projeto, que incluirá uma Loja do Cidadão, substituirá a construção de um silo-automóvel previsto para o espaço, abandonado por não se mostrar viável do ponto de vista financeiro.

O projeto do "Sintra Auditorium" está inserido no perímetro da Área de Reabilitação Urbana (ARU) do centro histórico de Sintra.

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