Cabo Verde recebe base de dados com 150 navios naufragados em águas do país

Praia, 16 abr 2019 (Lusa) -- Dos 300 navios naufragados que se estima existirem nos mares cabo-verdianos, a presença de 150 foi documentalmente provada e faz parte de uma base de dados elaborada por um investigador português que entregar o acervo a Cabo Verde na quarta-feira.

Alexandre Monteiro, investigador da Universidade Nova de Lisboa (UNL), é consultor técnico e científico do Instituto do Património Cultural de Cabo Verde para o levantamento e inventariação do património cultural subaquático de Cabo Verde.

Durante vários anos, este arqueólogo reuniu informação sobre os navios que naufragaram, em que situação e qual a sua história. Desse estudo, surgiu a base de dados que vai agora entregar ao Executivo cabo-verdiano, numa cerimónia que decorrerá na Cidade Velha, ilha de Santiago.

Em entrevista à agência Lusa, Alexandre Monteiro sublinhou a importância de Cabo Verde estar finalmente a mapear os navios naufragados, depois de décadas em que foram alvo de caça ao tesouro por parte de empresas que levaram grande parte da história -- e valores -- fundeados nos mares cabo-verdianos.

Apesar dos relatos existentes, dos 300 naufrágios que eram até agora conhecidos, o investigador apenas conseguiu provar a existência de 150.

Mas ressalvou que as cartas subaquáticas "estão sempre incompletas" e que a investigação pode, e deve, ir acrescentando mais dados aos até agora recolhidos.

Com a base de dados elaborada, será mais fácil a gestão deste património subaquático, que "permite estabelecer cartas de risco", através das quais se poderão "definir áreas de exclusão de mergulho".

Desta forma, acrescentou, poder-se-á avançar para a criação de "áreas de reserva subaquática".

Esta base de dados é também "um ponto de partida para os arqueólogos cabo-verdianos, ou outros, poderem continuar a enriquecer o acervo.

"Há um canal de facilidades em termos de investigação científica", disse.

Entre os naufrágios em Cabo Verde com dados georreferenciados constam o do navio "John E. Schmeltzer" que, ao naufragar com milho ao largo da ilha de Santo Antão, em 1947, permitiu a milhares de cabo-verdianos sobreviver à fome.

Também o navio hidrográfico da Marinha Portuguesa "Dom João de Castro", que se perdeu na praia do Penedo da Janela, na ilha de Santo Antão, também em 1947, está devidamente catalogado, assim como os vapores brasileiros "Acary" e "Guahyba", afundados em 1917 pelo submarino alemão U151, no porto da Praia de São Vicente.

A escuna portuguesa "Livramento", naufragada com o Governador de Cabo Verde na baía do Rabo de Junco, na ilha do Sal, em 1868, e a chalupa anti-negreira USS "Yorktown", da Marinha de Guerra dos Estados Unidos da América, perdida em 1850 na ilha do Maio, constam igualmente da base de dados.

Neste catálogo estão os navios da Honorable East India Company "Hartweel", perdido na Boavista em 1787, com seis toneladas de prata a bordo, e o "Lady Burgess", perdido com um tesouro na baixa de João Valente, entre a Boavista e a ilha do Maio, em 1806.

O galeão português "Nossa Senhora da Conceição", do Mestre de Campo António Moniz Barreto, de 430 toneladas e 24 canhões, com 200 soldados e 100 artilheiros também pode ser consultado nesta base de dados.

Trata-se de uma embarcação que se perdeu por erro de navegação quando seguia em conserva na frota da rendição da Baía, Brasil. Morreram 50 pessoas.

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