Bragança debate como pequenas cidade podem ser alternativa ao turismo em massa

O evento internacional "Smartravel" junta, pelo quarto ano consecutivo, mais de 20 estrategas em Bragança para partilhar conhecimento e discutir como as pequenas e médias cidades podem assumir-se como alternativa ao turismo em massa, divulgou hoje a câmara.

O programa do evento, agendado para 30 de novembro e promovido pela Câmara de Bragança, foi hoje apresentado com a tónica no desafio de "pensar" a forma como territórios de pequena e média dimensão podem constituir-se como alternativa à massificação e pressão turística das grandes cidades.

Entre os oradores deste congresso internacional estão nomes como o urbanista americano Chuck Wolf, o holandês Xander Bueno ou humorista e criativo português Fernando Alvim, mas também personalidades nacionais e da região ligadas à temática, numa iniciativa que proporciona também experiências aos convidados para dar a conhecer a região.

"Bragança tem todas as condições para se posicionar como alternativa àquilo que é o turismo massivo e aquilo que é também a deslocação massiva para as grandes cidades" defendeu o diretor do "Smartravel", Vitor Pereira.

O problema que aponta, em geral, é que "a maior parte das vezes, as pequenas e médias cidades tentam imitar soluções que as grandes já têm e que não estão a dar a resultado".

"As pequenas e médias cidades têm de ter a sua própria estratégia de captação de turistas que não são os mesmos turistas do Porto ou Lisboa, o que é preciso é que entendam que tem de ser feito a nível local e com todas as forças juntas", realçou.

O evento "Smartravel" faz parte da estratégia de desenvolvimento sustentável e serve também para mostrar o território e atrair novos visitantes, como indicou o presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, que ressalvou querer "mais gente" na região, mas "não de uma forma massificada como está a acontecer hoje noutras cidades do país e com problemas associados".

"Que possamos ter aqui efetivamente um turismo mais selecionado, de pessoas que efetivamente gostem daquilo que nós temos para oferecer e não apenas porque vamos ali porque temos de ir ali porque toda a gente vai", sustentou, realçando que o propósito é que apreciem aquilo que é a identidade, cultura, gastronomia desta região.

O autarca continua a defender que o conceito "smart" associado a este evento "não tem a ver apenas com a utilização de novas tecnologias", mas com uma "orientação inteligente" que "pode ter pouco de tecnológico" e ser "muito eficaz".

O "Smartravel", como indicou, tem permitido, desde 2014, anualmente, debater aquilo que são os problemas do território e possibilitado a partilha de experiências e conhecimento de pessoas de outras zonas e de renome internacional.

Com o turismo no centro do debate, o presidente da Câmara comentou queixas recentes de operadores locais, nomeadamente da hotelaria que regista um aumento, ao fim de semana, de turistas que "fogem" das grandes cidades como o Porto, mas que encontrem Bragança "fechada" sem estabelecimentos abertos para comprarem recordações ou produtos regionais.

"É evidente que a nossa preocupação é efetivamente trabalhar com os operadores locais para que consigam dar a resposta que é necessária a quem nos visita para que continuem a visitar-nos. Se isso não acontecer estamos a prestar um mau serviço e um mau serviço significa não virem cá as pessoas", afirmou.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.