Associação Comercial da Figueira da Foz diz que Câmara quer combater carros na cidade

O presidente da Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (ACIFF) acusou hoje a autarquia local de querer combater os carros no centro da cidade e que a privatização da empresa municipal de estacionamento segue essa estratégia.

Questionado pela agência Lusa sobre a decisão da autarquia de privatizar a Figueira Parques, através da alienação da sua quota de 70%, mediante o pagamento de 840 mil euros por parte do sócio privado, Carlos Moita disse que a ACIFF "não tem muito a comentar" sobre o negócio em si.

"Penso que toda a gente estará de acordo que é um bom negócio, porque há ali uma mais valia [de 840 mil euros] que é favorável ao município", afirmou.

No entanto, adiantou que os eventuais efeitos da privatização são "um continuar da estratégia de combater os carros no centro da cidade", em curso com uma obra de requalificação da zona histórica, que dá prevalência aos peões.

"Além das obras que estão a ser feitas, que do ponto de vista prático vão inviabilizar o acesso de carros ao centro da cidade, esta medida, de uma forma indireta, irá beneficiar o privado, que irá intensificar o modelo de negócio de forma a rentabilizar o investimento que está a fazer [na privatização]", argumentou o responsável da ACIFF.

Carlos Moita aludiu, nomeadamente, à introdução, em breve, por parte da Figueira Parques, do Sistema de Contraordenações de Trânsito (denominado SCoT, idêntico ao utilizado pela PSP ou GNR) "com capacidade real de cobrança e que permite multar [num mínimo de 30 euros] quem não possuir 'ticket' de estacionamento".

Atualmente, um automobilista que não pague estacionamento em zonas tarifadas da Figueira da Foz não é penalizado por isso, uma situação que a autarquia local quer ver alterada e regularizada com a introdução do SCoT.

Com a entrada em funcionamento deste sistema, passa a ser possível identificar o proprietário do veículo em transgressão e proceder à respetiva notificação e levantamento de auto de contraordenação, bloqueio e reboque, que agora não é feito.

Do ponto de vista prático o que haverá é um reforço da limitação ao estacionamento", acrescentou Carlos Moita.

O mesmo responsável frisou que a ACIFF tem defendido uma estratégia para o estacionamento nas zonas comerciais do centro da cidade, que passa por uma "solução alternativa às que existem", nomeadamente através da construção de um parque subterrâneo na zona histórica, projeto no qual defende que seja investida a "mais-valia financeira" da venda da Figueira Parques.

Carlos Moita insiste que "cada vez mais" há dificuldade de estacionar no centro da cidade, "o que inviabiliza o acesso ao comércio tradicional e a capacidade das pessoas [ali] residirem".

"Há um fluxo de carros para a periferia, que é onde se encontram as grandes superfícies comerciais, que têm lugares gratuitos e não são tão poucos como isso", frisou o presidente da ACIFF, referindo que uma das maiores possui cerca de 1.200 lugares cobertos, sensivelmente o número de lugares tarifados que, fora da época de verão, existem no centro da Figueira da Foz.

"E em Buarcos [onde decorre outra obra de requalificação], embora a Câmara diga que [os lugares de estacionamento] vão aumentar, só vão no global do projeto, após uma fase de obra que ainda nem sequer existe. Apenas com esta primeira fase, vão ficar menos lugares que os até aí existentes, já sabemos que vão diminuir", observou Carlos Moita.

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