Arquivo dos estudantes do Técnico vai ser exposto para evitar revisionismo histórico

O arquivo dos estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST) vai ser integrado no do IST, com a ajuda de José Pacheco Pereira, e mostrado numa exposição que pretende contribua para impedir o revisionismo histórico do período do Estado Novo.

O arquivo histórico da AEIST vai ser integrado no do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa (ULisboa), com a ajuda da Ephemera, a biblioteca e arquivos públicos do político e historiador José Pacheco Pereira.

"Quem estuda a história dos últimos anos de ditadura não tem nenhuma dúvida da importância da luta estudantil na sua queda", afirmou o político e historiador, que criticou os historiadores "com uma visão mais branda" do período do Estado Novo que passam a mensagem de que o ativismo político dos estudantes neste tempo tinha apenas como fim preparar "uma carreira".

"Esta foi uma geração de coragem, vamos lá ser francos. Ninguém pensava neste tempo na carreira", disse, recordando os muitos estudantes que neste tempo foram presos.

José Pacheco Pereira disse que o objetivo da exposição "é impedir o esquecimento da história e a revisão do passado", assim como "dignificar os que souberam resistir e tiveram um papel importante para a democracia".

"Queremos restituir parte da memória coletiva, impedir que seja adulterado o passado e passar o testemunho a quem, felizmente, não teve esta experiência", resumiu.

O protocolo para a transferência do arquivo foi hoje assinado no Salão Nobre do IST, em Lisboa, pelo presidente da AEIST, João Silva, e pelo presidente do IST, Arlindo Oliveira, na presença do reitor da ULisboa, António Cruz Serra, e de José Pacheco Pereira, dono do acervo da Ephemera, numa cerimónia que também foi de homenagem ao antigo ministro da Ciência, José Mariano Gago, ex-aluno da instituição.

Até ao final de 2017 estava prevista uma exposição com o arquivo da AEIST, um evento que só vai acontecer em maio de 2018, que pretende mostrar a importância do movimento estudantil do IST na queda da ditadura, "num momento muito peculiar" de intervenção dos estudantes universitários, que teve início em 1966 e que atravessou acontecimentos históricos como o "Maio de 68", do ponto de vista de intervenção estudantil, mas também a guerra do Vietname e a guerra colonial, recordou Pacheco Pereira.

Em homenagem a Mariano Gago, a AEIST anunciou hoje o lançamento de uma bolsa de estudo, a ter início no próximo ano letivo, que vai pagar o primeiro ano de propinas a um aluno de 1.º ano em situação de 1.ª matrícula que não tenha conseguido uma bolsa de ação social do Estado.

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