Aplicação criada no Algarve é uma espécie de "explicador portátil" de Matemática

Uma aplicação gratuita com mais de 3.000 exercícios de Matemática concebida pela Universidade do Algarve (UAlg) está a ajudar alunos na aprendizagem da disciplina, sendo já considerada como uma espécie de "explicador portátil".

Aluna do 12.º ano, Leonor Mendes descreveu hoje a ferramenta como um "explicador portátil", que permite que os exercícios possam ser feitos "em qualquer sítio", no telemóvel ou noutro dispositivo, sempre com uma explicação detalhada, em vídeo, dos passos para resolvê-los.

A aluna, que estuda em Faro, pertence ao grupo de 100 estudantes e professores de universidades e escolas secundárias de Espanha, Noruega, Turquia e Portugal que até sexta-feira vão estar reunidos na Universidade do Algarve, em Faro, para trocarem impressões sobre a aplicação "MILAGE APRENDER+".

"A aplicação tem vários níveis de exercícios, distribuídos por cores, começamos com os mais fáceis e no final temos a resolução, se não entendermos, há um vídeo a explicar cada passo", disse aos jornalistas Leonor Mendes, que estuda numa das escolas parceiras no projeto, a Escola Secundária Pinheiro e Rosa.

A sua professora de Matemática, Palmira Ferreira, considera que a aplicação é "um grande apoio" ao seu trabalho, além de ser um elo de ligação entre o professor e o aluno, uma vez que podem ser os próprios professores, não só na sala de aula, a explicarem virtualmente os exercícios aos seus alunos.

"O projeto tem ainda outra vertente importante que é o facto de permitir recordar conteúdos dos anos anteriores, o que contribui para otimizar o tempo e trabalhar de forma mais consistente", sublinhou a professora da Escola Pinheiro e Rosa, onde dá aulas aos 10.º e 12.º anos.

Segundo disse à Lusa Mauro Figueiredo, coordenador do projeto, a aplicação, disponível há um ano e meio e que integra conteúdos do 1.º ao 12.º anos, já foi descarregada mais de 5.000 vezes nos quatro países parceiros, embora esteja mais disseminada em Portugal.

"A Matemática é diferente das outras disciplinas porque obriga a um trabalho contínuo e é importante desenvolver abordagens para estimular a aprendizagem, porque todos os alunos são capazes", referiu, sublinhando que as áreas profissionais que serão mais requisitadas no futuro estão ligadas à Matemática, Informática e Engenharia.

Para o professor universitário, "se os alunos se habituarem desde cedo a terem ferramentas com que possam trabalhar, haverá mais alunos que possam escolher o seu futuro académico sem estarem condicionados a fugir de determinadas disciplinas", como a Matemática.

Segundo aquele responsável, de acordo com dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), um em cada quatro alunos de Portugal, Espanha e Noruega não conseguem alcançar o nível 2, considerado o mínimo para a proficiência em Matemática.

Na Turquia, o nível de sucesso na disciplina dos alunos é ainda inferior: um em cada dois alunos não conseguem atingir o nível 2, quando comparados com os restantes países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Mauro Figueiredo quer agora dar continuidade ao projeto, cujo financiamento provém da União Europeia, através do programa ERASMUS+, mas que termina em agosto próximo.

Nesse sentido, poderá ser criado um projeto-piloto em conjunto com o Ministério da Educação para o desenvolvimento de mais material e novas funcionalidades.

O projeto conta com sete parceiros de quatro países: em Portugal, a Universidade do Algarve, que coordena, e a Escola Secundária Pinheiro e Rosa, na Noruega, a Universidade de Nord e a Escola Secundária de Verdal, em Espanha, a Universidade da Extremadura e a Escola Secundária de Norba Caesarina, e, na Turquia, a Universidade de Cag.

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