2018: Eleições legislativas e autárquicas em São Tomé no meio da crise económica

O ano de 2018 em São Tomé e Príncipe será marcado por eleições legislativas, autárquicas e regionais, com a oposição bloqueada por divisões internas e a Ação Democrática Independente (ADI, no poder) a enfrentar dificuldades económicas.

O primeiro-ministro, Patrice Trovoada, quer um segundo mandato com maioria absoluta, alegando que tem projetos que não conseguiu concluir nos últimos quatro anos.

"A única vitória tem de ser maioria absoluta", disse Patrice Trovoada em outubro, quando a ADI completou três anos de poder.

Em 2014, o povo deu a Patrice Trovoada o Governo, a assembleia nacional (parlamento) e cinco das seis câmaras municipais do país. Em 2015, a ADI conquistou também a Presidência da República, um feito nunca conseguido por qualquer outro partido ou dirigente politico no país.

No entanto, as expectativas que o eleitorado tinha ainda não se cumpriram e o primeiro-ministro já admitiu dificuldades na concretização de muitas das promessas.

No entanto, o responsável disse que tem "possibilidades objetivas" de ganhar as próximas eleições e já assumiu publicamente que é candidato à sua própria sucessão.

Nas eleições de 2018, a oposição deverá contestar a política económica, dando prioridade ao aumento de custo de vida, que se reflete no aumento do índice da pobreza que atualmente atinge 63% da população contra 54% de há cinco anos.

O principal partido da oposição, o Movimento para a Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP-PSD), tem estado mergulhado numa crise interna que deverá terminar num congresso desde sempre rejeitado pela atual direção, liderada por Aurélio Martins.

Em janeiro, visita o país o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, retribuindo a visita oficial do seu homólogo a Lisboa, este ano.

Numa altura em que o Governo do primeiro-ministro Patrice Trovoada critica a cooperação com Portugal, essa visita pode trazer uma nova dinâmica nas relações entre os dois estados, marcadas pelo desenvolvimento de um Programa Estratégico de Cooperação (PEC) financiado por Lisboa em 54 milhões de euros por um período de cinco anos.

Também em janeiro entra em vigor a nova variante da moeda nacional, a dobra com menos três zeros. A velha moeda irá depois ser progressivamente retirada do mercado.

Ainda em 2018, São Tomé e Príncipe acolhe pela primeira vez os jogos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), uma competição que junta modalidades como futebol, voleibol ou atletismo.

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