2017: Seca fora do normal prejudica culturas e leva a medidas de poupança de água

A seca que está a afetar Portugal este ano prejudicou pastos e várias culturas agrícolas, diminuiu a água armazenada nas barragens e levou os municípios a reduzirem as regas e lavagens de espaços públicos ao essencial.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), novembro foi o oitavo mês consecutivo com valores de precipitação inferiores ao normal e o outono foi o mais seco dos últimos 46 anos, com o valor médio da temperatura máxima do ar mais alto dos últimos 86 anos.

O IPMA revelou ainda que, no final de novembro, 3% do território estava em seca moderada, 46% em seca severa e 51% em seca extrema, apesar de o índice meteorológico de seca (PDSI) indicar que houve "um ligeiro desagravamento da intensidade da seca nas regiões do Noroeste, Centro e Sudoeste do território", devido à chuva que caiu nas últimas semanas.

A quantidade de água armazenada em novembro desceu em dez bacias hidrográficas de Portugal continental e subiu em duas, sendo as bacias do Sado (21,6%) e do Lima (28%) as que apresentam menor capacidade de armazenamento.

A seca prejudicou culturas e a produção de pasto para animais, com produtores de diversos setores a falarem de "calamidade" e a reclamarem do Governo ajudas extraordinárias para fazer face aos prejuízos.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a seca beneficiou de algumas culturas, como a do tomate, fruta e vinho, e prejudicou outras, como os cereais, plantas forrageiras e azeite.

No Douro, a seca conduziu à antecipação generalizada das vindimas para agosto, no Alentejo os produtores florestais estão preocupados com a qualidade e a quantidade de cortiça a tirar na campanha do próximo ano e os produtores de queijo da Serra da Estrela e de Azeitão preveem uma diminuição da quantidade produzida.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) solicitou que no Orçamento do Estado para 2018 (OE2018) estejam consagradas medidas para fazer face ao período de "seca fora do vulgar".

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, defendeu, por diversas vezes, que os portugueses têm de fazer "uso parcimonioso" da água e as autarquias responderam com medidas como a redução da rega em espaços verdes, a reutilização de águas residuais, o encerramento de fontanários, repuxos e piscinas, a redução das lavagens de arruamentos e a racionalização do uso de água nos equipamentos municipais, além de campanhas de sensibilização.

A maioria dos municípios recorreu a origens alternativas de água, como poços e furos, para a agricultura e pecuária.

Em locais onde a água faltou nas torneiras, as autarquias enviaram camiões-cisterna para abastecimento, nomeadamente em várias aldeias de Vinhais (Bragança) e em diversas localidades dos distritos de Évora e de Beja.

Foram também enviados camiões-cisterna para a barragem de Fagilde, que abastece quatro concelhos do distrito de Viseu.

Em meados de agosto, o Governo mandou retirar mais de 150 toneladas de peixes de quatro albufeiras no Alentejo devido à seca e para não prejudicar a qualidade da água.

Os partidos da oposição insistiram que o Governo não tomou todas as medidas possíveis para minimizar a seca, mas o ministro do Ambiente rejeitou as críticas.

Foi este Governo que "aprovou - nunca antes nenhum o tinha feito - um plano de contingência contra a seca", com a definição de "prioridades claras", destacou Matos Fernandes.

O presidente do IPMA defendeu, no início de dezembro, que a forma de utilizar a água vai ser uma prioridade em Portugal e que os sistemas de recuperação deste recurso terão de melhorar o seu desempenho.

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