Inauguração do Corredor Logístico de Nacala deverá multipicar exportações de Moçambique

O Corredor Logístico de Nacala, uma linha férrea com 900 quilómetros e 4,1 mil milhões de investimento para levar carvão da mina de Moatize ao porto de Nacala, é inaugurado na sexta-feira pelo Presidente de Moçambique.

A brasileira Vale, que explora a mina na província de Tete, e a empresa de Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) formam o consórcio investidor.

A construção de novos troços de linha e a reabilitação de outros arrancou em 2012 e incluem uma parte de 200 quilómetros de ferrovia que atravessam um país vizinho, o Maláui.

O objetivo é conseguir exportar 18 milhões de toneladas de carvão por ano, através daquela via, até ao recém-construído terminal do porto de Nacala, província de Nampula, uma estrutura feita para encher navios cargueiros com carvão em tempo recorde.

Até duas dezenas de comboios com vagões a perder de vista podem circular diariamente.

"O carvão de Moatize está bem posicionado internacionalmente para abastecer, com custo competitivo, os mercados globais da Ásia, Europa e ainda o Brasil", anuncia a Vale, que faz do carvão de Moçambique uma das suas joias.

Para Moçambique esta infraestrutura significa um aumento considerável das suas receitas de exportação. A Economist Intelligence Unit concluiu em abril que o carvão deve passar a liderar a lista.

"Só o aumento da produção na mina de Moatize, de 8,7 milhões de toneladas em 2016 para 13 milhões em 2017 e 18 milhões em 2018, deve provavelmente ser suficiente para o carvão ultrapassar o alumínio como a maior fonte de receitas de exportação em Moçambique este ano", referiu aquela unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

Antes sequer de a exportação começar, o arranque da exploração de carvão na última década na província de Tete mudou o território: criou riqueza graças a novos empregos e indiretamente abriu novas perspetivas de negócio - nos serviços, hotelaria e outros - no interior de Moçambique.

Agora, a ambição é fazer também do Corredor Logístico de Nacala um forte motor de desenvolvimento.

De acordo com dados do consórcio, na fase de construção o corredor chegou a empregar cerca de dez mil pessoas e agora, na fase de operação, dá trabalho a cerca de quatro mil - sendo a maioria moçambicanos -, ao longo dos 900 quilómetros de extensão,

A ferrovia de alta eficiência vai permitir movimentar a preços mais competitivos, na mesma linha, produtos agrícolas e outros que agora padeciam da falta de transportes de grandes dimensões ou que se tornavam inviáveis devido aos custos das viagens rodoviárias.

As previsões de diferentes empresas apontam para vários cenários, todos otimistas: passa a ser viável exportar mais produtos agrícolas e florestais, em que a região é rica, assim como atrair novas fábricas de subprodutos ligados à indústria extrativa, em expansão.

Ao mesmo tempo, o corredor de Nacala passa a ser uma via a ter em conta para quem quer levar produtos (combustível, bens de consumo) a preços mais baixos para o interior do país e para os países vizinhos, como o Maláui e a Zâmbia.

O otimismo acerca do potencial do corredor e dos recursos do norte de Moçambique domina todas as intervenções públicas e privadas e torna-se visível em grandes investimentos como a linha férrea, o novo terminal portuário e o resto da renovação em curso no Porto de Nacala.

Para ali mesmo ao lado estão previstos os megaprojetos de exploração de gás natural liderados pela ENI e Anadarko e que a partir de 2023, só por si, podem dar receitas fiscais de mil milhões de euros por ano, segundo as estimativas mais conservadoras.

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