Greve/Médicos: Adesão ronda os 80% nas unidades de saúde do Algarve

A greve dos médicos está a ter uma adesão de cerca de 80% nos hospitais e centros de saúde do Algarve, sobretudo nas cirurgias programadas e nas consultas, disse à Lusa fonte da Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

"A paralisação está a afetar o funcionamento dos blocos operatórios nos hospitais de Faro e de Portimão, com cirurgias adiadas, bem como as consultas externas nos hospitais e centros de saúde", disse à Lusa Margarida Agostinho da FNAM.

Apesar de ainda não ter conseguido reunir dados concretos acerca do número de consultas, internamentos cancelados e cirurgias adiadas, aquela responsável sublinhou que há uma adesão "muito elevada" dos médicos que provocou a paralisação de especialidades como a Cirurgia e a Cardiologia.

Margarida Agostinho frisou que a greve dos médicos "é um sinal do descontentamento com as condições, cada vez mais degradantes do Serviço Nacional de Saúde, daí ser natural a elevada adesão" dos clínicos.

No hospital de Portimão, nas consultas externas o ambiente na sala de espera era o de um dia normal, embora vários utentes fossem confrontados com a desmarcação e reagendamento de consultas, lamentando que "o tempo perdido com a deslocação" à unidade de saúde.

Marta Ferreira, de 73 anos, considerou que a paralisação dos médicos "causa grandes transtornos a quem precisa de cuidados de saúde, e só prejudica os doentes".

"É lamentável e inadmissível que os doentes sejam os grandes prejudicados. Os médicos não estão a ter respeito pelas pessoas que mais precisam de cuidados", destacou.

O cancelamento de consultas foi também o efeito mais visível da greve dos médicos no hospital de Faro, embora algumas consultas tenham decorrido com normalidade.

Segundo Margarida Agostinho da FNAM, das 820 consultas previstas, apenas se terão realizados cerca de 140.

A greve dos médicos decorre hoje em todo o país e foi convocada pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e Federação Nacional dos Médicos (FNAM) face à ausência de resposta do Governo às propostas dos sindicatos.

Os médicos reivindicam uma redução de horas extraordinárias anuais obrigatórias, as chamadas horas de qualidade (durante a noite), a redução do trabalho de urgência das 18 para as 12 horas semanais e a redução da lista de utentes por médico de família dos atuais 1.900 para os 1.500.

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