Freguesia de Évora reúne assinaturas para pedir obras nas redes de água e esgotos

Cerca de mil habitantes de uma freguesia do concelho de Évora já subscreveram um abaixo-assinado para pedir soluções para os problemas nas redes de abastecimento de água e esgotos, mas o município recusa responsabilidades.
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O abaixo-assinado pretende "dar voz ao sentimento de indignação das pessoas", depois de termos "tentado alertar para os problemas" as entidades competentes, afirmou hoje à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Canaviais, Jerónimo José (PS).

Segundo o autarca socialista, a junta de freguesia está a promover um abaixo-assinado para entregar à Câmara de Évora (CDU) e à empresa Águas do Vale do Tejo e a pedir à população para que se junte ao protesto "no sentido de reforçar" as reivindicações.

Contactado hoje pela Lusa, o presidente da Câmara de Évora, o comunista Carlos Pinto de Sá, manifestou "solidariedade com os moradores" da Freguesia de Canaviais, considerando que a situação é "absolutamente inaceitável e incompreensível".

"Não há nenhuma responsabilidade da câmara nesta matéria. Essa responsabilidade decorre do contrato que a anterior gestão PS fez em 2002, em que entregou a rede de águas e esgotos à Águas do Centro Alentejo, num negócio ruinoso para o município", notou.

Pinto de Sá frisou que, apesar das tentativas que o município tem feito para "recuperar as competências e a capacidade de intervir" nas redes de águas e esgotos, "o Governo anterior e o atual não têm aceitado" a saída da autarquia do sistema multimunicipal.

"Temos acompanhado a situação, mas não temos poder para intervir, uma vez que a conduta é da Águas do Vale do Tejo", insistiu, acusando a junta de freguesia de estar "a tentar atirar para cima" da atual gestão CDU "uma responsabilidade que foi da câmara PS", o que considerou "absolutamente inaceitável".

O presidente da junta de Canaviais explicou que a freguesia tem "3.600 habitantes" e que a principal adutora que faz o escoamento dos esgotos tem "200 milímetros de diâmetro", advertindo que esta infraestrutura não tem a capacidade suficiente.

"Os anos de degradação e o aumento exponencial do número de habitantes fazem com que o sistema esteja em carga, o que origina todo este problema que se tem vindo a agudizar", referiu, exigindo uma "intervenção nas redes de águas e esgotos".

De acordo com o autarca, entre 25 de março e 25 de maio, foram registados cinco cortes parciais ou totais de água, devido a ruturas, e intervenções na conduta de esgotos em seis ocasiões, o que obrigou ao corte das duas principais estradas de acesso à freguesia.

O presidente da junta mostrou-se "um pouco estupefacto" por a câmara recusar assumir responsabilidades, considerando que o presidente do município "demite-se das suas funções" com tal atitude, porque a população "paga a água e esgotos à câmara".

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