França/Eleições: Ciclo político na Europa inverteu-se - Adelino Maltez

O analista político Adelino Maltez defendeu hoje à Lusa que a vitória de Emmanuel Macron nas presidenciais francesas revela uma inversão de ciclo político e dá oportunidade à Europa para "levantar a cabeça com entusiasmo".

"A Europa tem aqui uma oportunidade para levantar a cabeça com entusiasmo", disse Adelino Maltez em declarações à agência Lusa no seguimento da vitória de Macron nas presidenciais francesas de domingo.

"Macron deu ontem [domingo] um sinal de profundidade na política, para além das quezílias de campanha; há aqui um sentido da palavra e um sentido de esperança para todos os europeus, não só pela derrota de Le Pen, é mais do que isso, é um ciclo político de vitórias que tem sucedido na Europa de pessoas com as mesmas ideias", defendeu o analista.

"Foi na Holanda, agora é em França, inverteu-se o ciclo, no sentido de junção do patriotismo ao europeísmo e nesse sentido e de certa maneira, com alguma camaradagem liberal, sinto-me feliz", concluiu.

Questionado sobre a influência desta votação nos resultados das eleições legislativas em França, agendadas para junho, Adelino Maltez disse que são duas coisas diferentes:

"Ao contrário [do que dizem] algumas pitonisas, o PS não desapareceu, os partidos gaulistas não desapareceram, a Frente Nacional também não desapareceu. Vai ser o tempo dos partidos e da política como arte de tecer os contrários; a fase seguinte não é o fim da história, é a emergência, o aparecimento de novas divergências e novas convergências", argumentou.

Para Maltez, "Macron é apenas um fator de convergência e quem vai continuar a mandar na democracia são os partidos".

"Esses estão no terreno e tem de haver alguém que saiba tecer, e julgo que [Macron] tem condições para isso. É uma mistura de discurso clássico com o entusiasmo de um jovem de 39 anos".

O centrista Emmanuel Macron foi eleito com 66,10% dos votos, contra 33,90% da candidata de extrema direita Marine Le Pen, revelam hoje os resultados definitivos da segunda volta das eleições presidenciais francesas.

A abstenção atingiu 25,44% dos inscritos, um nível recorde.

A passagem do poder do Presidente cessante, o socialista François Hollande, para o Presidente eleito está prevista para o próximo fim-de-semana.

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