França propõe que Conselho de Segurança da ONU tenha mais membros permanentes

França afastou hoje implicitamente a cedência à União Europeia do seu assento no Conselho de Segurança da ONU, como defendeu a Alemanha, propondo em alternativa que seja alargado o número de membros permanentes naquele órgão.

"França é favorável ao alargamento do Conselho de Segurança [...] para permitir a entrada como membros permanentes da Alemanha, mas também Japão, Brasil, Índia e dois países africanos", disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, Agnès von der Mühll.

Na quarta-feira, o vice-chanceler e ministro das Finanças alemão, Olaf Scholz, defendeu que o assento permanente de França no Conselho de Segurança da ONU deve passar a ser europeu, para que a UE "fale a uma só voz".

A porta-voz da diplomacia francesa acrescentou que França está preparada para "coordenar" as suas posições com a Alemanha, "no espírito da parceria franco-alemã", e que "tem em conta todas as posições europeias na expressão das suas posições nacionais", participando "ativamente na coordenação da posição da União".

França é, com o Reino Unido, os Estados Unidos, a Rússia e a China, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, os que têm direito de veto.

Depois do 'Brexit', a França será o único país da UE com um assento permanente.

Além dos cinco membros permanentes, o Conselho é constituído por dez membros não-permanentes, escolhidos por um período de dois anos. A Alemanha será membro não-permanente a partir de janeiro de 2019.

Olaf Scholz propôs que, como contrapartida à cedência do assento permanente pela França, o lugar de chefe da representação da UE junto da ONU poderia passar a ser ocupado de forma permanente por um francês.

O vice-chanceler alemão admitiu contudo que não será fácil pôr a ideia em prática: "Estou bem consciente de que há um trabalho de persuasão a fazer em Paris", disse.

Pouco depois destas declarações, o embaixador de França nos Estados Unidos, Gérard Araud, que foi anteriormente representante de França junto da ONU, escreveu na rede social Twitter que uma tal cedência "é juridicamente impossível porque contraria a Carta das Nações Unidas".

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