Fachada, estantes e interior da Livraria Aillaud & Lellos têm de ser mantidos - Vereadora

Todo o património da Livraria Aillaud & Lellos, em Lisboa, que fechou a 29 de dezembro de 2017, vai ter de ser mantido no edifício, garantiu hoje à agência Lusa a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa.

Catarina Vaz Pinto explicou que o facto de a livraria ter sido classificada como loja histórica obriga a que todo o património construído e o mobiliário da livraria, da fachada ao interior, tenha de se manter no edifício, independentemente do fim para que venha a ser utilizado.

"O que quer que venha a surgir naquele espaço vai ter de respeitar o património construído e o mobiliário Arte Déco daquela livraria", disse Catarina Vaz Pinto, explicando que, ao abrigo da classificação das lojas como históricas (Lojas com História), esses requisitos são uma obrigação para os proprietários ou locatários.

Fundada em 1931, e classificada em 2016 como loja histórica, a Aillaud & Lellos na rua do Carmo, em Lisboa, acabou por fechar portas por alegado desacordo entre o proprietário do edifício e o da livraria, o arrendatário, quanto ao montante da renda a pagar.

A fachada do edifício, em Art Déco, assim como o interior, foram desenhados por António José Ávila do Amaral, colaborador do arquiteto Cassiano Branco.

Em resposta enviada à agência Lusa, na passada quinta-feira, os serviços da Câmara Municipal de Lisboa disseram que, quando teve conhecimento do fecho da Livraria Aillaud & Lellos, "já existia acordo entre o senhorio e o inquilino para o encerramento do espaço no final do ano".

Apesar de, até então, não ter chegado ao município "nenhum pedido de apoio" da livraria, o "grupo de trabalho das Lojas com História reuniu-se, por um lado, com a entidade que explorava atualmente" esse espaço, "e com o senhorio, tentando sensibilizá-lo para a perda da distinção da loja caso não se preservassem os elementos que deram origem à distinção".

Também questionado pela Lusa, o responsável pela livraria, José Manuel Lello, explicou que o fecho da loja se deveu à cessação do "contrato de arrendamento a termo certo". O Contrato "chegou ao fim e o senhorio decidiu não renovar".

O responsável confirmou que não fez "nenhum pedido à Câmara de Lisboa", porque, "neste caso", apresar de se tratar "de uma Loja com História, esse programa não se aplica a este tipo de contratos de arrendamento, que tinha sido assinado em 2013".

Por isso, "não era possível qualquer apoio", afirmou.

Questionado sobre se a Livraria Aillaud & Lellos poderia abrir num outro local, José Manuel Lello foi taxativo: "Não estamos a pensar fazer isso. Chegámos a acordo com os trabalhadores e fechámos o negócio".

"Loja com História era naquele sítio, mudando, já seria complicado", rematou.

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