Exposição em Évora evoca Aqueduto da Água da Prata e património hidráulico

O Aqueduto da Água da Prata e o património hidráulico de Évora estão em foco numa exposição na cidade alentejana, desde hoje, constituída por peças arqueológicas e fotografias de artefactos e de reconstituições a três dimensões (3D).

Monumento Nacional desde 1910, o Aqueduto da Água da Prata é uma obra de engenharia hidráulica que permitiu, há 480 anos, levar a água pública à Praça do Giraldo, no centro da cidade.

A mostra, intitulada precisamente "O Aqueduto da Água da Prata e o Património Hidráulico de Évora", pode ser visitada, até janeiro do próximo ano, no Convento dos Remédios.

Promovida pela Câmara de Évora, a iniciativa integra as comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que é assinalado na quarta-feira, explicou hoje o município.

Nesta exposição evocativa do monumento, os visitantes, segundo a autarquia, vão poder apreciar peças arqueológicas e fotografias de reconstituições a 3D e de diversos artefactos ligados à temática, assim como assistir em 3D ao filme "Água da Prata. O(s) Aqueduto(s) de Évora".

Em paralelo, a mostra inclui um programa de animação com visitas guiadas, ateliês pedagógicos, 'workshops', colóquios e palestras temáticas.

A exposição faz parte do Programa de Conservação e Consolidação do Aqueduto da Água da Prata, em implementação pela câmara municipal e selecionado para o World Monument Watch 2016-17 do World Monument Fund.

O programa, lembrou o município, inclui diversas ações, como o levantamento arquitetónico e topográfico dos troços intramuros e extramuros, que está "em fase de conclusão", e a realização do diagnóstico e da avaliação do estado de conservação do aqueduto.

Este trabalho vai permitir "a elaboração de um projeto de conservação" e a "posterior execução dos trabalhos de recuperação" do monumento, realçou a autarquia, acrescentando que o projeto abrange também a execução da iluminação cénica intramuros, "em fase de lançamento da empreitada".

Segundo a câmara, foi também "ultimada uma candidatura" ao Programa LIFE "para a recuperação da funcionalidade do aqueduto, o que permitirá o aproveitamento da água das Nascentes da Prata para consumo, incluindo rega de espaços verdes, numa lógica de gestão sustentável dos recursos naturais".

A exposição no Convento dos Remédios é financiada por fundos comunitários, através do programa operacional regional Alentejo 2020 e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), numa parceria com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERTA).

O Aqueduto da Água da Prata (1533-1537), cuja construção foi impulsionada por D. João III, é uma obra de engenharia da autoria de Francisco de Arruda e é hoje um dos símbolos patrimoniais de Évora.

A infraestrutura, como escreveu o historiador Túlio Espanca no livro "Encontro com a Cidade", prolonga-se por cerca de 18 quilómetros "através de canalizações e arcaria de granito no estilo da Renascença".

Até aos anos 30 do século XX, serviu para transportar água de nascentes existentes na zona de Graça do Divor até à cidade, nomeadamente às fontes, chafarizes e a alguns conventos e casas de elevada importância social à época.

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