"Filipa César. Crioulo Quântico" é o título desta mostra com curadoria de Leonor Nazaré que ficará instalada até 02 de setembro no Espaço Projeto -- Coleção Moderna do Museu Gulbenkian, e foi hoje apresentada aos jornalistas numa visita guiada com a presença da artista..A exposição representa um dos três momentos de um projeto internacional da artista, que envolve, além do Museu Calouste Gulbenkian, a Haus der Kulturen der Welt, em Berlim, onde uma parte foi apresentada no início do ano, e a Tabakalera, em San Sebastian, onde o terceiro momento será exibido, em novembro..Em Lisboa, a artista apresenta agora uma instalação e um filme de ensaio, que resultou de um processo de pesquisa coletivo, e que introduz vários formatos de imagem em movimento. .Na sala, um ecrã gigante exibe o filme, e numa estrutura em madeira são expostos alguns tecidos, resultado daquela técnica tradicional na Guiné-Bissau, nos quais tem investigado códigos de comunicação com paralelismo com o sistema usado na computação.."A cultura da tecelagem é o resultado de um violento encontro entre os portugueses e os africanos", comentou a artista, acrescentando que "resulta de trocas comerciais e da plantação do algodão", naquela região, marcada pela história colonial portuguesa.. Na estrutura em madeira, com panos e objetos da cultura guineense, o grande ecrã dá a ver padrões digitais e gráficos, mãos que se movem, grandes planos de tramas, teares e tecelagens..Neste trabalho de Filipa César, que dura há cerca de uma década, são abordados temas cívicos, políticos e de caráter ativista.."A tecelagem pano de pente está mais próxima da computação do que a escrita", disse a artista, salientando que esta técnica "foi usada como forma de comunicação codificada que ainda hoje persiste"..A abordagem da artista portuguesa nascida no Porto, em 1975, incide sobre dinâmicas de crioulização, no seu contexto histórico e biológico, entre as quais se encontra a dimensão subversiva de códigos linguísticos e noções de tecedura..No primeiro momento de apresentação deste projeto, em Berlim, Filipa César organizou uma ação com leituras e performances sobrepostas à passagem de um filme, evocando temas como a passagem de furacões no arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau, à violência cultural da zona franca que ali está a ser criada hoje, passando pelos movimentos coloniais dos séculos XV e XVI e os entrepostos de escravos..Filipa César tem apresentado o seu trabalho em Portugal e no estrangeiro em festivais e certames de cinema e arte contemporânea, tais como a Berlinale, Doc's Kingdom, Flaherty Seminar, Manifesta 8, Jeu de Paume, Tensta konsthall, Harvard Art Museums e Haus der Kulturen der Welt.