Exposição da artista e muralista Jaqueline de Montaigne em Lisboa é também um alerta

Lisboa, 29 mai 2019 (Lusa) -- A fotografia de uma cegonha, envolta num saco de plástico, pousada num aterro sanitário em Espanha, serviu de inspiração à artista portuguesa Jaqueline de Montaigne para a exposição "Natura est Theatrum", a ser inaugurada na sexta-feira, em Lisboa.

Foi em pesquisas para "Natura est Theatrum", que estará patente na galeria Espaço Exibicionista, que Jaqueline de Montaigne se deparou com a fotografia captada pelo norte-americano John Cancalosi, publicada em maio do ano passado na revista National Geographic, no âmbito de uma reportagem, que fez capa, sobre o impacto do plástico no meio ambiente, recordou a artista e muralista em declarações à Lusa.

"A cegonha está em pé, normal, mas dentro de um saco de plástico", descreveu a artista, que no seu trabalho sempre abordou o tema da Natureza.

Jaqueline, cujo trabalho inclui muitas vezes figuras de pássaros, recentemente decidiu focar-se "nos animais que estão em risco de ficaram extintos nos próximos anos". "Só em Portugal há 22 espécies (de pássaros) que estão na lista de possível extinção", alertou.

Com "feitio de ativista", a artista sentiu que tinha "uma responsabilidade enorme" de incluir nesta exposição os problemas relacionados com o clima.

Jaqueline de Montaigne nasceu há 39 anos em Lisboa, mas com "1,88 metros, um ar completamente sueca e um sotaque inglês", é "muito difícil explicar" que é portuguesa.

O interesse pela arte começou em criança, influenciada pelos dois avós: um pintor botânico e um diretor de arte. "Passava muito com eles, influenciaram-me imenso", partilhou.

Aprendeu a desenhar "através de livros", ainda tentou estudar artes, mas teve "muita dificuldade em seguir a maneira de emoldurar os estudantes nas escolas de arte".

"Comecei a expor aos 15 anos e entre os 30 e os 36 parei. Há três/quatro anos voltei do zero a pintar e foi quando fiz o meu primeiro mural", recordou.

O primeiro mural foi pintado na Lx Factory, em Lisboa, e ficou logo viciada. "É mesmo [viciante] estar com as pessoas na rua e ver a reação das pessoas à arte e o entusiamo do público, é bastante positivo", referiu. Depois desse, surgiram outros, em Lisboa e noutras cidades portuguesas, e este ano vai "começar a pintar no estrangeiro".

Na exposição "Natura este Theatrum" vai mostrar sobretudo aguarelas, "algumas mesmo detalhadas, com desenhos científicos que se encontram nos livros antigos", mas também "telas enormes".

"Vai haver o quadro maior que alguma vez fiz na minha carreira, que se expande e sai da tela fazendo parte de um mural", contou.

Os quase 30 quadros que estarão expostos foram feitos "em menos de um mês e todos pensados para o espaço e no tema da exposição".

Depois da Natureza, vai criar projetos ligados aos direitos das mulheres e à saúde mental. "Quero utilizar a arte pública para sensibilizar o público para estes temas", afirmou.

"Natura este Theatrum" estará patente até 24 de junho na galeria Espaço Exibicionista.

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