Exportações de mobiliário e colchoaria aumentam 5% até setembro - APIMA

As exportações de mobiliário e colchoaria aumentaram 5% no terceiro trimestre deste ano, face ao período homólogo de 2016, sinalizou hoje a Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliários e Afins (APIMA).

De acordo com dados apurados pela APIMA, com base nas estatísticas do Instituto Nacional de Estatística, as exportações realizadas de janeiro a setembro deste ano atingiram um total de 1,3 mil milhões de euros.

França, Espanha e Reino Unido lideram o 'ranking' das exportações do setor, com um peso de 66% no volume total.

O mercado francês, com 419 milhões de euros em vendas, é o principal destino das exportações do setor, tendo crescido 11,25% face a igual período de 2016 e alcançado uma quota de 32% do total de exportações.

Segue-se Espanha, com um volume de vendas na ordem dos 363 milhões de euros, correspondentes a uma quota de mercado de 27%.

O Reino Unido, por sua vez, ocupa o terceiro lugar do 'ranking' com um volume de vendas de 84 milhões de euros, equivalente a um crescimento de 16% e uma quota de mercado de 6%, quando comparado com 2016.

Esta análise revela ainda melhorias no desempenho das exportações para a Republica Checa, com um crescimento de 339%, quando comparado com 2016.

Ainda segundo os dados recolhidos, importa salientar que as importações do setor registaram um decréscimo de 5% face ao período homólogo de 2016, fixando-se nos 693 milhões de euros, "valor que assegura a continuação de um saldo superavitário da balança comercial do setor".

A taxa de cobertura das exportações pelas importações do período em referência é de 191%, acrescenta.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...