Estratégia chinesa "Uma Faixa,Uma Rota" tem de respeitar direitos humanos - ONG

Nova Iorque, 22 abr 2019 (Lusa) -- A organização Human Rights Watch defendeu hoje que o Governo chinês deve garantir que os projetos que financia ou em que se envolve no âmbito da estratégia "Uma Faixa, Uma Rota" respeitam os direitos humanos.
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A China recebe, entre a próxima quinta-feira e sábado, vários chefes de Estado e líderes de organizações internacionais que irão participar no segundo Fórum de Cooperação Internacional Uma Faixa, Uma Rota, título dado à estratégia adotada pelo Governo chinês envolvendo o desenvolvimento de infraestruturas e investimentos em países da Europa, Ásia e África.

Para a organização de defesa dos direitos humanos, é fundamental que a China consulte sempre os grupos de pessoas que possam ser afetados pelos projetos propostos e assegure que as comunidades possam expressar-se sem medo de represálias.

"Pequim afirma estar empenhado em trabalhar com outros países para promover [projetos] amigos do ambiente, mas a prática levada a cabo levanta sérias preocupações", afirmou Yaqiu Wang, investigador da Human Rights Watch na China, num comunicado hoje divulgado.

"As críticas a alguns dos projetos [da estratégia] 'Uma Faixa, Uma Rota' -- como falta de transparência, desrespeito pelas preocupações das comunidades e ameaças de degradação ambiental -- sugerem que o compromisso é superficial", acrescentou.

O projeto chinês prevê um investimento de 900 mil milhões de dólares em infraestruturas a construir em dezenas de países e, segundo a Human Rights Watch alguns dos projetos não cumpriram ou omitiram o seu impacto social e no ambiente ou não passaram pela fase de consultar as comunidades locais que seriam afetadas, o que levou a protestos generalizados.

Alguns projetos também atraíram críticas por suspeitas de corrupção, empréstimos sem transparência e adjudicações diretas a empresas chinesas.

O Governo chinês e os bancos estatais responderam algumas vezes às críticas, alterando ou mesmo desistindo dos projetos propostos.

Em março, após fortes protestos de residentes e de grupos ambientalistas do Laos, Myanmar e Tailândia, as autoridades chinesas desistiram de um plano de nivelamento de uma zona rochosa de ilhéus através de explosões, na parte superior do rio Mekong, que visava construir uma passagem para grandes cargueiros.

Também em março, o banco estatal da China admitiu reavaliar o acordo de financiamento de uma barragem hidroelétrica em Batang Toru, na Indonésia, depois de os ambientalistas terem alertado que a barragem causaria fortes danos ao ambiente e poria em risco os orangotangos daquela zona, já em perigo de extinção.

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