Esforços para libertar ativistas na Turquia não serão silenciados - Amnistia

A Amnistia Internacional assinalou hoje um ano de prisão do presidente honorário da Amnistia Internacional Turquia, Taner Kiliç, sublinhando que a repressão do regime turco apenas redobrará os esforços para garantir a sua libertação e a de outros ativistas.

Mais de um milhão de pessoas de 194 países, das quais mais de 3.000 em Portugal, assinaram até agora a petição da Amnistia Internacional (AI) que exorta à libertação de Taner Kiliç - detido a 06 de junho de 2017 com base na acusação falsa de pertença a uma organização terrorista - e de todos os outros defensores dos direitos humanos encarcerados nas prisões da Turquia por exercerem o seu direito ao ativismo pacífico.

"Hoje, lamentamos o ano da vida de Taner Kiliç que o Governo da Turquia injustamente lhe tirou, mas este é também o momento de redobrar os nossos esforços para assegurar a sua libertação e a de muitos outros ativistas da sociedade civil cujo trabalho lhes custou a própria liberdade", declarou o secretário-geral da AI, Salil Shetty, citado em comunicado da organização de direitos humanos.

"As autoridades turcas têm fomentado um clima de medo, ao perseguirem implacavelmente aqueles que ousam levantar a voz. Mas hoje, as centenas de milhares de apoiantes de Taner em todo o mundo juntam-se em solidariedade para enviar uma mensagem inequívoca ao Governo turco: não seremos silenciados", acrescentou o responsável.

Taner Kiliç foi acusado de "pertencer à Organização Terrorista de Fethullah Gülen" - um clérigo exilado nos Estados Unidos que o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, culpa pela tentativa de golpe de Estado de 15 de julho de 2016 -, com base na falsa alegação de que descarregou uma aplicação informática de mensagens chamada ByLock, que as autoridades turcas dizem ter sido utilizada por seguidores de Gülen.

No entanto, não foi apresentada qualquer prova credível para fundamentar tal acusação; pelo contrário, dois peritos forenses independentes concluíram não existirem no telemóvel de Taner vestígios de o ByLock alguma vez lá ter estado.

Taner foi enviado para a prisão a 09 de junho de 2017, três dias após ter sido detido, e tornou-se desde então um símbolo dos muitos defensores dos direitos humanos e de outros ativistas que foram perseguidos no âmbito da repressão pós-golpe falhado no país.

Dez outros defensores dos direitos humanos, entre os quais Idil Eser, diretor da Amnistia Internacional Turquia, foram detidos um mês depois, tendo oito deles ficado presos durante quase quatro meses até serem libertados sob fiança na sua primeira audiência, em outubro de 2017.

Todos eles são acusados de "pertencerem a uma organização terrorista", uma acusação infundada da qual o ministério público não conseguiu apresentar provas que resistissem a escrutínio.

Em dezembro de 2017, as autoridades turcas admitiram que milhares de pessoas tinham sido erradamente acusadas de descarregar a aplicação ByLock, publicando listas com os números de 11.480 utilizadores de telemóvel que levaram a libertações em massa, mas Taner não estava entre os libertados.

"A evidência da inocência de Taner é flagrante. A sua detenção foi uma injustiça grosseira que põe a nu o viciado sistema judicial da Turquia e a perseguição implacável pelo Governo de quem quer que se lhe oponha", sustentou Salil Shetty.

Segundo o secretário-geral da Amnistia, Taner "foi preso apenas porque é um feroz defensor dos direitos humanos".

"Na sua próxima audiência em tribunal, este mês, ele deve ser libertado e ilibado das acusações infundadas de que foi alvo, para que possa retomar o seu importante trabalho", defendeu.

A audiência de Taner está marcada para 21 de junho e, se for condenado pelos crimes de que é acusado, poderá enfrentar uma pena de até 15 anos de prisão.

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