"É um primeiro passo para uma maior integração continental", afirmou o comissário zambiano, em entrevista à Lusa, à margem dos encontros anuais do banco pan-africano Afreximbank, que decorrem em Moscovo. .Em 30 de maio entrou em vigor uma nova zona de livre-comércio e livre-circulação em África que junta 24 países (AfCFTA, na sigla em inglês) e que constitui uma das prioridades de Muchanga, recordando que o projeto obedece a "princípios de geometria variável" e cada país irá "aderir quando quiser" ao processo. .Neste momento, faltam assinar o acordo apenas três países - Nigéria, Benim e Eritreia -- e já ratificaram 24 dos 55 países que compõem a União Africana. ."No meu país, a Zâmbia, o ministro do comércio disse que iria ratificar o acordo até agosto", explicou o comissário, que espera a entrada da Nigéria no processo dentro "de semanas". .O acordo prevê o fim das barreiras alfandegárias em 90 por cento dos bens e os bens que irão ainda ser tarifados terão de ser acordados entre os países-membros, segundo a vontade política de cada um. .Em paralelo, em conjunto com o Afreximbank, a União Africana tem 886 milhões de euros para compensar a perda de receita fiscal nalguns bens a definir caso a caso. .Este projeto tem dois grandes objetivos: aumentar o comércio dentro do continente e reforçar a capacidade negocial do bloco africano com parceiros internacionais. ."Qualquer acordo bilateral futuro de um país terá de ser discutido dentro desta zona de livre-comércio", porque é necessário "harmonizar a entrada de bens externos", explicou o comissário da União Africana. .Nesse sentido, será criado um secretariado permanente para harmonizar as legislações nacionais e verificar os sistemas aduaneiros. .Atualmente, "20 a 35 por cento do comércio interno em áfrica não é registado" e é preciso "mudar isso", colocando tudo "mais claro e transparente" ao permitir às empresas a venda de bens noutros países, explicou Albert Muchanga..Para prevenir a criminalidade transnacional, os países signatários comprometem-se em partilhar informações de segurança e a cumprir pedidos judiciais dos vizinhos. ."Um imigrante ilegal consegue entrar nas nossas fronteiras internas que têm pouco controlo, mas aqui a questão é para permitir o comércio. Quando aumentamos as oportunidades de emprego, as pessoas vão mudar de sítio e procurar melhores condições onde as houver", explicou. ."As pessoas estão motivadas e o impossível vai acontecer", afirmou o dirigente africano.