Ensino Superior: Lisboa com 30% de alunos deslocados mas só 9,2% têm residências universitárias

Trinta por cento dos estudantes de ensino superior na área metropolitana de Lisboa no último ano letivo eram deslocados, mas apenas 9,2% dispunham de vaga em residências universitárias, segundo os últimos dados oficiais sobre alojamento.

Esta realidade atingia quase todas as zonas do país com instituições de ensino superior.

Os dados referentes a 2016/2017 constam do Plano Nacional para o Alojamento lançado em maio pelo Governo com o objetivo de combater o custo crescente das rendas para estudantes devido a fatores como a pressão turística.

As áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e a zona do Algarve eram as que registavam maior valor mediano por metro quadrado nos novos contratos de arrendamento privado. Em Lisboa este valor estava nos 6,06 euros, no Porto nos 4,58 euros e no Algarve nos cinco euros.

A mediana para Portugal situava-se nos 4,39 euros por metro quadrado

De acordo com os dados, existiam a nível nacional 192 residências universitárias, com 15.370 camas e 9.075 quartos.

Na área metropolitana do Porto, 35% dos estudantes eram deslocados e a oferta de camas para estudantes do ensino público era de 9,7 por cento.

No Algarve, 26% dos estudantes em 2016/2017 eram deslocados e a oferta de camas em residência universitária era superior à procura, uma vez que se situava nos 31,2 por cento.

Noutras zonas do país a diferença entre o número de estudantes deslocados e a percentagem de vagas em residência era ainda maior, contudo o valor das rendas por metro quadrado em alojamento local era inferior a Lisboa, Porto e Algarve.

Era o caso da região de Aveiro onde 59% dos seus estudantes eram deslocados e onde existia um rácio de 16,5% de alojamento universitário para estes alunos, assim como da zona Oeste com 69% dos alunos deslocados e uma oferta de camas para 17,1 por cento.

Em Aveiro e na zona Oeste os valores medianos das rendas por metro quadrado de novos contratos de arrendamento situavam-se nos 3,66 euros.

Os dados revelam ainda que na Beira Baixa 68% dos alunos eram deslocados, que existia um rácio de camas na ordem dos 16,6% e que o valor mediano das rendas por metro quadrado de novos contratos de arrendamento era de 2,83 euros.

No Alentejo central, com 64% de estudantes deslocados, a capacidade de alojamento era de 14,8 por cento e o valor mediano das rendas por metro quadrado de 3,58 euros.

Já na zona do Tâmega, em 2016/2017, metade dos estudantes estava deslocada e não existia qualquer residência universitária. Nesta zona a mediana das rendas era de 2,61 euros por metro quadrado.

Mais de 10% dos candidatos à primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior não conseguiram entrar numa instituição pública, com 43.992 colocados entre 49.362 candidatos.

As candidaturas à segunda fase do concurso nacional de acesso decorrem entre 10 e 21 de setembro, para a qual ficam disponíveis as vagas sobrantes da primeira fase, as vagas da primeira fase para as quais não se tenha concretizado a matrícula dos alunos colocados e as vagas da primeira fase libertadas por alunos que tentem outra colocação na segunda.

Os resultados da segunda fase do concurso são divulgados a 27 de setembro.

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