Enfermeiros criticam "quota ínfima" de profissionais a contratar para Luanda

A direção do Sindicato dos Enfermeiros de Luanda considerou hoje irrisório o número de profissionais que o Ministério da Saúde prevê admitir para a capital angolana, assegurando que "não vai corresponder" às necessidades dos utentes.

O posicionamento foi expresso à Lusa, pelo secretário-geral adjunto do Sindicato dos Enfermeiros de Luanda, António Kileba, argumentando que estas contratações - 335 médicos e 357 enfermeiros - "não vão permitir colmatar as dificuldades", face às solicitações diárias nos hospitais e centros de saúde públicos.

"Porque temos muitos hospitais encerrados, outros trabalham a meio gás, com apenas 15 funcionários. Então, olhando para vertente saúde e enfermeiros, esse número ainda não corresponde à expetativa dos utentes e seria bom que crescesse mais", disse.

A agência Lusa noticiou na segunda-feira que o Ministério da Saúde de Angola aprovou a admissão de 5.085 novos profissionais, entre os quais 2.475 médicos, 1.310 enfermeiros, 800 técnicos de diagnóstico e terapeutas e 500 profissionais de apoio hospitalar, cujo concurso público arranca este mês.

Segundo o documento do Ministério da Saúde, a província de Luanda vai absorver o maior número de profissionais a serem admitidos, um total de 1.047, sendo 335 médicos, 357 enfermeiros, 218 técnicos de diagnóstico e de apoio hospitalar e ainda 136 vagas para apoio hospitalar.

Para o sindicalista António Kileba, o Governo "não avaliou as reais necessidades" a nível da capital angolana, que deveria obrigar a um levantamento, a nível das unidades hospitalares e centros de saúde "para se saber quais as reais necessidades, devido à própria densidade populacional de Luanda".

"Julgamos ser apenas uma gota no oceano", sustentou.

Em relação as reivindicações da classe, que datam desde 2012 e que já nos últimos meses levaram à paralisação destes profissionais, entre elas o pagamento de retroativos, subsídios de consulta e promoção do pessoal, António Kileba fez saber que houve apenas avanços na "reformulação da carreira de enfermagem".

"E aguardamos pela continuidade do processo a nível de outros ministérios. Outras questões continuam na estaca zero tanto mais que nós temos prazos e deveremos remeter um documento ao Governo da província, tendo em conta ao silêncio quanto a outras questões constantes do caderno reivindicativo" concluiu.

Já a admissão de novos médicos, observou o Ministério da Saúde, "irá contribuir para regularização dos problemas da carreira e a elevação do rácio angolano de um médico para 4.000 habitantes".

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda um médico para cada 1.000 habitantes, que "obrigará à formação contínua de novos médicos", explicou anteriormente aquele ministério.

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