Empresas portuguesas em feira canadiana à procura de parceiros através do CETA

Mais de uma dezena de empresas portuguesas estão em Toronto à procura de parceiros, tendo em vista o acordo comercial entre a União Europeia e o Canadá (CETA), marcando presença na maior feira agrícola e de produtos alimentares do país.

Já presente no mercado canadiano, mas na província francófona do Quebeque, os azeites Acushla participam pela quarta vez no certame, aproveitando o CETA para alargar a sua presença no Canadá.

"O nosso objetivo é aproveitar o acordo comercial [CETA] para ver se conseguimos que se abram mais algumas portas para facilitar toda a negociação", disse à agência Lusa Ana Monteiro.

A responsável pela Gestão Global da Acushla salientou que a empresa criada em 2004 pretende "encontrar um importador que trabalhe para uma grande área do mercado", tendo em vista também os Estados Unidos.

A feira SIAL 2017 arrancou na terça-feira, no Enercare Centre, em Toronto, prolonga-se até quinta-feira e é o maior certame do país do género, dedicado a produtos de retalho, alimentares processados e indústria dos serviços da alimentação. São esperados nos três dias de certame 150 mil visitantes, todos profissionais do ramo agroalimentar.

Participam na SIAL 930 expositores provenientes de 60 países diferentes, incluindo Portugal. Segundo a informação disponibilizada pela SIAL, Portugal está representado pela Acushla Organic Olive Oil, Arquipélago de Sabores Unipessoal, Câmara de Comércio dos Açores, Diatosta - Indústria Alimentar, Indulac Martins & Rebello, Lactaçores, Mathias II Export. Unip, Panidor - Pauferr - comércio e indústria alimentar, Plantações Chá Gorreana, Quinta dos Açores e Vieira de Castro.

A região autónoma dos Açores está representada com um pavilhão, através da Sociedade Para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA) e pela Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, com quatro empresas do arquipélago presentes.

"Esperamos que o acordo comercial venha a melhorar o volume de negócios, pois aí seria o ideal. O que comercializamos mais com o Canadá são os laticínios. O grande objetivo era aumentar a quota a esse nível", afirmou Marisa Toste, administradora executiva da SDEA.

A responsável reconheceu que os resultados "têm sido bastante positivos", numa primeira participação na SIAL com o "objetivo claro de aumentar as vendas para o Canadá".

"Os laticínios, o chá e as compotas foram os principais produtos que trouxemos. A participação neste certame faz parte do plano da promoção estratégica da divulgação e promoção dos produtos dos Açores", acrescentou Marisa Toste.

Vítor Barbosa, responsável de exportação da Diatosta, empresa do ramo do fabrico de tostas e mini-tostas, pretende tirar partido do CETA, embora a abordagem daquela empresa de Aveiro ao mercado canadiano já seja feita há mais de "20 anos".

"Queremos é desenvolver novas parcerias, seja para o Canadá ou para os Estados Unidos. Queremos chegar à região de Vancouver, esse é um objetivo claro. Termos uma presença forte em Montreal, em Toronto, e queremos alargá-la em termos geográficos", acrescentou.

Quem também vê o Canadá com grande potencial e quer trabalhar mais diretamente com aquele mercado é a Panidor.

"O mercado do Canadá tem um grande potencial, e agora o acordo comercial é uma porta que se veio abrir um pouquinho mais. Queríamos fazer parte desse movimento. Queremos encontrar distribuidores e possíveis clientes para começar a trabalhar neste mercado", salientou Sílvio Cabecinhas, gestor de exportações.

A Panidor opera atualmente em quase todos os países da Europa, nos Estados Unidos, e mais recentemente na República Dominicana, e muito brevemente será a vez de Porto Rico.

A empresa de Leiria com 23 anos apresenta-se no certame com o seu produto de referência, o "pastel de nata", tendo em destaque no seu expositor os "pães rústicos e a massa folhada", entre outros doces tradicionais portugueses.

De Famalicão, a Vieira de Castro pretende aproveitar o CETA para dinamizar a sua estratégia enquanto "marca internacional" e não tanto "um produto associado mais à comunidade portuguesa".

"No passado, a Vieira de Castro era um produto associado a Portugal e consumido essencialmente pelos portugueses. Neste momento, a ideia é sair do mercado da saudade e passar para as grandes cadeias locais, é um produto internacional", disse Fátima Machado, gestora de mercado para o Canadá.

A empresa de 75 anos, produz vários tipos de bolachas, salgadas e doces, amêndoas com chocolate e rebuçados, produtos exportados para 53 países, entre eles o Canadá, os Estados Unidos, Japão, Israel e Brasil.

"Já trabalhamos no Canadá há cerca de 20 anos. Este ano, visto que nunca tínhamos participado em nenhuma destas feiras aqui, decidimos apostar numa feira com o distribuidor para ajudar a dar um poucos mais de visibilidade e conhecer um pouco os compradores das cadeias", sublinhou.

Por sua vez, a Indulac Martins & Rebello, através do diretor de exportação, Daniel Silva, vê o certame e o acordo comercial entre a UE e o Canadá como uma forma de "atingir e ampliar as oportunidades do futuro".

Os azeites de Oliveira da Serra e Acushla conquistarem as medalhas de ouro e prata, respetivamente, na categoria de 'frutado ligeiro', no concurso 'Olive D'Or 2017', durante o certame.

A SIAL foi inaugurada na terça-feira pelo ministro da Agricultura do Canadá, Lawrence MacAylay, e pelo Comissário Europeu para a Agricultura e Desenvolvimento Rural, Phill Hogan.

O CETA é o primeiro acordo económico da UE após o Tratado de Lisboa a incluir um capítulo inteiramente dedicado aos investimentos, reduz as taxas aduaneiras para um grande número de produtos e uniformiza normas para favorecer intercâmbios e para mudar profundamente as relações comerciais ente o Canadá e os Estados Unidos.

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