Emirados e Arábia Saudita vão formar novo grupo separado do Conselho de Cooperação do Golfo

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram hoje a formação de um novo grupo económico e de parceria com a Arábia Saudita, separado do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), decisão que pode enfraquecer este órgão na crise diplomática com o Qatar.
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No anúncio, o Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos (EAU), horas antes de um encontro do CCG no Kuwait, afirmou que a nova "comissão de cooperação conjunta" foi aprovada pelo Presidente dos EAU, o xeque Khalifa bin Zayed Al Nayhan.

A Arábia Saudita ainda não informou sobre a nova parceria.

Não é claro, de momento, de que forma é que tal pode afetar a reunião do Conselho de Cooperação do Golfo, prevista para hoje e quarta-feira, que deverá estar centrada no problema do Qatar, alvo de um bloqueio político e económico da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito, ou seja, de metade dos membros do CCG, que integra ainda o Kuwait e Omã.

A diplomacia dos Emirados Árabes Unidos afirmou que o novo "comité é designado para cooperar e coordenar entre os Emirados e a Arábia Saudita nos domínios militar, político, económico, comercial e cultural", bem como em outros "no interesse dos dois países".

Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita têm aprofundado os laços nos últimos anos. As tropas dos Emirados estão bastante envolvidas na coligação liderada pelos sauditas que intervém na guerra no Iémen, acreditando-se ainda que o poderoso príncipe de Abu Dhabi, Mohammad bin Zayed Al Nayhan, tem uma estreita relação com o jovem príncipe saudita, Mohammed bin Salman.

O anúncio dos Emirados não refere se eventualmente outros países vão ser convidados a integrar o novo grupo, mas o recente desenvolvimento coloca pressão sobre Conselho de Cooperação do Golfo, formado em parte em 1981 como contrapeso ao poder xiita no Irão.

Em 05 de junho, a Arábia Saudita, o Bahrein, os Emirados Árabes Unidos e o Egito romperam relações diplomáticas com o Qatar, acusado de apoiar grupos "terroristas", algo desmentido por Doha, e de uma aproximação ao Irão.

Foram interrompidas as ligações aéreas e marítimas com o Qatar, desencadeando-se a mais grave crise regional desde a guerra do Golfo de 1991.

Após o início da crise com os países do Golfo, o emirado reforçou as relações com a Turquia, e com o Irão, em particular para garantir a importação de produtos alimentares.

O Fundo Monetário Internacional considerou que o impacto económico das tensões diplomáticas em torno do Qatar tem sido limitado, mas uma crise prolongada poderá enfraquecer o crescimento a médio prazo em todo o Golfo.

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