Debate do Rossio de Aveiro não enterrou receios de parque subterrâneo

O presidente da Câmara de Aveiro ouviu hoje cinco associações reiterarem a sua oposição à construção de um parque de estacionamento subterrâneo no Rossio, num debate dominado pelo medo das consequências do projeto.

Os argumentos conhecidos de Ribau Esteves para defender o projeto de requalificação do Rossio, retirando os carros que se acumulam à superfície e dando mais espaço aos peões para usufruírem da vista sobre os canais e sobre o conjunto de edifícios Arte Nova, não foram suficientes para alterar a posição do agrupamento associativo A4, que reúne várias associações da cidade.

Nem tão pouco a promessa de retirar trânsito do Bairro da Beira Mar e de haver lugares reservados no futuro parque para os residentes, a preços especiais, sossegou os receios de vários moradores que participaram no debate, realizado no auditório da Escola Profissional de Aveiro.

"A câmara omitiu que o estudo geotécnico é desfavorável e considera o cenário muito condicionante. Porque é que a câmara não colocou essa informação no seu 'site?'", questionou David Iguaz, do Movimento Juntos pelo Rossio.

O medo de possíveis danos da obra nos edifícios existentes foi evidenciado por residentes e ilustrado pelo representante do movimento Juntos pelo Rossio, que salientou haver casas só assentes numa pequena camada de saibro sobre o lodo, sem sequer estacaria a suportar, e lembrou situações de desabamento ocorridas devido a novas construções contíguas.

Medo também foi o que transmitiu o presidente da Associação Comercial de Aveiro, Jorge Silva, sobretudo com o impacto comercial da intervenção prevista, cujo estudo não está feito, já que na memória de muitos está o encerramento de várias lojas na praça Marquês de Pombal quando foi construído o parque de estacionamento, obra que se arrastou em contratempos e no tempo.

Por isso, os comerciantes querem que seja constituído um fundo de garantia para agilizar o pagamento de indemnizações por eventuais danos e uma comissão de acompanhamento em que tenham assento.

Jorge Silva salientou também a necessidade de serem salvaguardadas as condições de cargas e descargas na zona, já hoje difíceis sem a obra, mas Clara Marina, da associação Corda, alargou as preocupações ao impacto para os habitantes, para os turistas e para o trânsito, também na zona envolvente.

"Uma intervenção no coração da malha urbana irá ter implicações em toda a cidade", disse, exemplificando com a obra que decorre na rua Clube dos Galitos que afeta o trânsito desde a Aaenida Lourenço Peixinho à rotunda do Hospital.

"A nossa inquietação é por não terem sido planeadas medidas para minimizar os danos que vai causar", concluiu Clara Marina.

A Plataforma Cidades reafirmou a sua posição contra a intervenção prevista, embora o seu representante tenha reconhecido que o estudo prévio agora em discussão "é melhor do que a versão anterior", um ganho da participação cívica no debate do tema.

"Não altera o essencial. Somos contra o parque, mas não contra a legitimidade da câmara para o fazer", esclareceu o representante da Plataforma.

Já a Ciclaveiro considera que a nova versão tem "medidas de cosmética ou paliativos para um projeto que continua a não fazer sentido" e que "não existem dados novos que fundamentem a construção de um parque subterrâneo" no local.

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