Contrato de revisão do submarino Arpão abre "novos mundos" à industria naval -- Governo

O ministro da Defesa Nacional afirmou hoje que a assinatura dos contratos relativos à primeira revisão intermédia do submarino Arpão, no Arsenal do Alfeite, em Almada, vai permitir a abertura de "novos mundos" à indústria naval portuguesa.

"Este contrato é uma espécie de Cabo Bojador. A partir da assinatura destes contratos, novos mundos se abrem para a nossa indústria naval", afirmou João Gomes Cravinho na cerimónia que decorreu na Base Naval de Lisboa, em Almada, no distrito de Setúbal.

A assinatura dos contratos aconteceu depois de um longo processo negocial com a Marinha Portuguesa e o estaleiro construtor dos submarinos (tkMS), dando início à capacidade de manutenção de submarinos de classe tridente em Portugal.

A ação de manutenção do submarino Arpão tem uma duração prevista de 18 meses, cabendo à Arsenal do Alfeite a responsabilidade pela maior parte da execução do contrato.

Para o ministro da Defesa, os três contratos assinados hoje são de "interesse nacional", não só pela aposta na indústria naval portuguesa, como pela criação desta capacidade de manutenção naval.

"No passado a construção de navios foi uma realidade nestas instalações e hoje existem outras áreas de negócio neste setor industrial", evidenciou.

Além da abertura de novas oportunidades, o setor da manutenção vai permitir também, na visão de João Gomes Cravinho, a "sustentação dos submarinos portugueses ao longo do seu ciclo de vida".

Na sala do Risco, que outrora foi centro de formação, o governante destacou ainda a importância dos recursos humanos e da formação ministrada pela tkMS, em 2017, que capacitou a indústria naval portuguesa para este setor.

"A valorização dos recursos humanos é algo que eu quero sublinhar, sem essa valorização não era possível. Quero sublinhar o importante diálogo que tem sido desenvolvido entre a Direção Nacional do Alfeite com os seus trabalhadores para o encontro de soluções que sejam benéficas para todos e a reativação do centro de formação da empresa, que vai contribuir para esse objetivo. O Governo apoia firmemente a decisão tomada nesse sentido", indicou.

Para o ministro da Defesa, esta parceria mostra como as notícias que davam como certo o fim do Alfeite eram "exageradas".

"O Arsenal vai vingar no futuro. Precisamos de recuperar equipamentos, precisamos de manter viva e maximizar as potencialidades da escola industrial e dos ofícios aqui formados, precisamos de conquistar contratos novos. Este processo vai levar o seu tempo, mas acredito que esse potencial será cumprido e a assinatura destes contratos representam essa confiança", disse.

João Gomes Cravinho mencionou ainda como estes contratos poderão ser importantes para Almada, não só pela tradição naval existente no concelho, como pela nova "dinâmica económica" que trará à região.

"Estou convencido que se a história de Portugal é incompreensível sem se compreender a sua dimensão marítima, igualmente o futuro de Portugal passará por essa dimensão", referiu o ministro.