Censo de garajaus regressa aos Açores

Zonas costeiras e rochosas voltam a ser percorridas, até dia 23, no âmbito de um censo de garajaus, nos Açores, que se iniciou em 1989, numa região da Europa onde nidificam 50% daquela espécie protegida.

No censo de 2016, estimaram-se cerca de 538 casais reprodutores de garajau-rosado em 23 colónias e 2.442 casais de garajau-comum, distribuídos por 105 colónias por todo o arquipélago, concentrando-se mais de 50% da população de cada espécie apenas no Grupo Central dos Açores, segundo informou o Governo regional.

A contagem, segundo o diretor regional dos Assuntos do Mar, Filipe Porteiro, visa "quantificar as populações das duas principais espécies de garajaus que nidificam na Região", o garajau-comum (Sterna hirundo) e o garajau-rosado (Sterna dougalii), apelando às populações, em especial aos utilizadores das zonas costeiras, "para evitarem perturbar os garajaus durante a época de acasalamento e reprodução, junto a falésias, arribas e ilhéus, onde habitualmente nidificam".

Numa nota de imprensa do executivo açoriano, o diretor regional adianta que a contagem de ninhos e de posturas é realizada pelos técnicos dos Parques Naturais de Ilha e da Direção Regional dos Assuntos do Mar.

No caso de colónias "mais inacessíveis", em particular nos ilhéus costeiros, refúgio para aves marinhas, "a contagem é feita pelo mar, com recurso a binóculos e telescópio.

Para a realização deste censo estão também previstas viagens de barco à volta de todas as ilhas que "permitem estimar o número de adultos, espoletando uma buzina que os faz levantar voo", referiu.

Os investigadores estimam que cerca de 50% dos garajaus-rosados em toda a Europa nidifiquem nos Açores, sendo esta espécie protegida considerada uma das 30 mais raras da Europa.

O censo iniciou-se em 1989 e tem uma periodicidade anual desde 1993 nas principais colónias.

No arquipélago, as principais colónias de garajaus rosados (entre 75 a 80%) concentram-se em três ilhas, nomeadamente Graciosa, Flores e Santa Maria.

O ilhéu da Praia, na ilha Graciosa, tem a segunda maior colónia de garajaus-rosados da Europa.

O executivo açoriano explica que a monitorização e recolha de dados populacionais de aves marinhas, com estatuto de proteção regional, comunitária e internacional, como é o caso dos garajaus comum e rosado, constitui uma obrigação legal no âmbito da Diretiva Aves (Rede Natura 2000), da Diretiva Quadro Estratégia Marinha, tendo ainda enquadramento na Convenção OSPAR.

Para o presidente da Associação Amigos dos Açores, Diogo Caetano, esta contagem assume-se de "grande relevância", uma vez que permite "diagnosticar possíveis problemas futuros" e "o resultado de boas ações" com vista à preservação das espécies.

"Os censos permitem conhecer com precisão os habitats, perceber o que sucede em termos de variação anual da evolução da mesma espécie e permite diagnosticar até possíveis problemas futuros", sublinhou hoje o presidente da associação ambientalista, em declarações à agência Lusa.

Diogo Caetano considerou também que estas ações são "um apoio" no direcionamento das campanhas de proteção das espécies e permitem "envolver a sociedade" nestas políticas de defesa ambiental e conservação das espécies.

O censo decorre em parceria com os Serviços de Ambiente e Parques Naturais de Ilha.

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