Catalunha: Jordi Sànchez pede ao juiz que o deixe sair da prisão para ir ao plenário

Barcelona, Espanha 10 abr (Lusa) -- O número dois da plataforma independentista Junts per Catalunya, Jordi Sànchez, pediu hoje ao juiz do Supremo Tribunal espanhol Pablo Llarena que o autorize a estar presente na sessão de investidura como presidente regional da Catalunha.

Sànchez, antigo líder da associação independentista Assamblea Nacional Catalana, encontra-se preso nos arredores de Madrid, acusado de "rebelião e sedição" devido ao processo que resultou na declaração unilateral de independência da Catalunha, a 27 de outubro, e antes disso num referendo pela independência que a justiça espanhola considerou ilegal.

O deputado da Junts per Catalunya (JxCat) alegou perante o juiz Llarena que apresentou um requerimento junto do Comité de Direitos Humanos da ONU, que aceitou analisar o seu caso. Na resposta ao requerimento, o Comité das Nações Unidas apelou ao governo espanhol para que garanta "os seus direitos civis e políticos".

Na carta ao juiz, à qual a agência EFE teve acesso, o advogado de Sànchez, Jordi Pina, pede ao Supremo que facilite a sua participação no plenário de investidura, seja em liberdade condicional ou através de uma autorização penitenciária para ir ao parlamento catalão ou mesmo que o autorize a participar através de videoconferência.

No sábado, o presidente do parlamento catalão, Roger Torrent, propôs pela segunda vez o nome como candidato a presidente regional.

Torrent anunciou a sua quarta proposta de candidato a presidente regional através do Twitter, depois de concluir uma ronda de contactos com os grupos parlamentares catalães.

O presidente do parlamento regional não fixou ainda uma data para o plenário de investidura (no qual o candidato deveria debater, presencialmente, o seu programa de governo, submetendo-se depois a votação). No entanto, Torrent não descarta que este se possa realizar na próxima semana.

Na sua mensagem no Twitter, Torrent indicou que propõe Jordi Sànchez porque este "é o que reúne mais apoios e mantém plenamente em vigor todos os direitos políticos".

A decisão sobre a data do plenário poderá estar a aguardar uma eventual autorização do Supremo Tribunal. O Supremo não autorizou Sànchez na primeira vez que este foi designado como candidato.

Sànchez, antigo líder da associação independentista Assamblea Nacional Catalana (ANC), foi o "plano B" dos partidos independentistas após a tentativa falhada de eleger Carles Puigdemont à distância, através de teleconferência, uma vez que este estava fugido à justiça em Bruxelas.

O agora candidato (pela segunda vez) conta com o apoio da formação de Puigdemont, o Junts per Catalunya, e da Esquerda Republicana Catalana (ERC). No entanto, os quatro deputados regionais da formação de extrema-esquerda CUP (Candidatura de Unidade Popular) mantêm a abstenção, o que impede que seja eleito em primeira votação, na qual se exige maioria absoluta.

Foi o que se passou na primeira vez que Sànchez foi candidato, num plenário urgente antes de este ser formalmente acusado dos crimes: a CUP absteve-se, o candidato não teve maioria absoluta e Sànchez permaneceu preso. Acabaria por retirar o seu nome.

Mas até numa segunda votação (desta vez já por maioria simples) haverá dificuldades: como Puigdemont descarta a possibilidade de renunciar ao seu assento de deputado, terá de delegar o seu voto (o mesmo acontecendo com o ex-conselheiro da ERC Antoni Comín, também em fuga na Bélgica) para que Sànchez consiga a maioria, mesmo com a abstenção da CUP.

O Ciudadanos, o PSC-Units (partido socialista da Catalunha), o Catalunya En Comú-Podem (a versão catalã do Podemos) e o PPC (partido popular da Catalunha) anunciaram que votarão contra Sànchez caso o plenário venha a realizar-se.

Desde que assumiu as funções de presidente do parlamento regiona, a 17 de janeiro, Torrent já propôs quatro candidatos à investidura, três das quais falharam: Carles Puigdemont, Jordi Turull e duas vezes Jordi Sànchez.

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