Belas Artes de Lisboa homenageiam Santa-Rita Pintor nos 100 anos da sua morte

O artista Santa-Rita Pintor (1889-1918) será homenageado no centenário da morte, a 03 e 04 de maio, em Lisboa, por várias entidades, com novos dados e reflexões sobre a importância da obra na História da arte portuguesa.

De acordo com a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), o artista, falecido, aos 28 anos, de tuberculose pulmonar, irá ser homenageado com conferências e exposições por quatro entidades, que vão reunir um grupo de especialistas interessados no seu trabalho.

"Será um regresso de Santa Rita Pintor à Escola e Academia de Belas-Artes, com as quais esteve diretamente relacionado durante cerca de um terço da sua vida", segundo a entidade, que fará também uma recolha pública de fundos para o restauro de uma obra do artista, no seu acervo.

Guilherme Augusto Cau da Costa de Santa Rita ou Guilherme de Santa-Rita - que depois passaria a chamar-se Santa-Rita Pintor -, nasceu em Lisboa, a 31 de outubro de 1889, e faleceu na capital a 29 de abril de 1918.

O artista foi uma figura mítica da primeira geração de pintores modernistas portugueses, mas a sua obra permanece envolta em mistério porque nunca expôs em Portugal, e esteve vários anos em Paris, garantindo, com Amadeo de Souza-Cardoso, a primeira ligação efetiva às vanguardas históricas do início do século XX.

Santa-Rita Pintor foi, segundo os especialistas, o mais ativo impulsionador do breve movimento futurista português, mas morreu antes mesmo de completar 29 anos de idade, vitimado por tuberculose pulmonar, deixando indicação expressa para que todos os seus trabalhos fossem queimados.

Questões como "a sua relação com a Academia, as polémicas enquanto bolseiro, com a cópia da 'Olympia' de Manet, e o conflito com João Chagas que levou à suspensão das bolsas, o seu reivindicado futurismo, com as suas blagues e provocações, os seus envolvimentos na revista Orpheu, e na edição de Portugal Futurista, esta imediatamente apreendida à saída da gráfica", serão levantadas pelos especialistas.

Também será evocada a sessão futurista realizada com Almada Negreiros, "que é caso único na sua dimensão extremamente precursora na história da performance em Portugal, a polémica da atribuição da Cabeça Futurista que o seu amigo Manuel Jardim trouxe postumamente de Paris, como sendo de Santa Rita Pintor, a destruição da sua obra de vanguarda, deixando um vazio provocatório ao seu entendimento póstumo, entre outras", segundo a FBAUL.

Adicionalmente, haverá uma exposição bibliográfica na Biblioteca da FBAUL e outra na Academia Nacional de Belas-Artes, com obras e documentação desta instituição e da faculdade, mais algumas curiosidades de coleções privadas, com material pouco visto ou mesmo inédito em exibição pública, segundo a entidade.

As instituições envolvidas são ainda a Academia Nacional de Belas-Artes, o Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa, o Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CET-FLUL).

Este projeto está integrado no Ano Europeu do Património Cultural.

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