Bankinter Portugal quer duplicar volume de ativos e ter dimensão média

O grupo Bankinter quer a sua sucursal portuguesa a crescer para uma dimensão média no mercado bancário nacional e para isso acredita que o volume dos seus ativos possa duplicar nos próximos anos.

"Não queremos ser o maior banco [português], mas queremos ter uma dimensão média", com um aumento da quota de mercado, que neste momento é de cerca de 2,5% em Portugal, disse hoje a presidente do grupo Bankinter, María Dolores Dancausa, em Madrid, a um grupo de jornalistas portugueses.

O grupo bancário fechou 2018 com um lucro antes de impostos de 721,1 milhões de euros, com a atividade em Portugal a contribuir com 60 milhões de euros, o que significa um aumento de 92%.

"Estamos muito orgulhosos e satisfeitos com o resultado alcançado em Portugal, disse a presidente do grupo, acompanhada pelo presidente executivo da sucursal portuguesa, Alberto Ramos.

María Dolores Dancausa definiu como objetivo que o banco consiga a médio prazo "ter um volume de ativos de 10 mil milhões de euros", um valor que é quase o dobro dos atuais 5,4 mil milhões. "Podemos ainda crescer muito", garantiu a presidente do Bankinter.

Segundo fontes desta entidade bancária, este crescimento deverá levar a filial portuguesa a aumentar a sua quota de mercado dos atuais cerca de 2,5% para 4,0% no futuro.

A presidente do grupo espanhol assegurou que o crescimento em Portugal vai continuar a ser orgânico, não estando previstas quaisquer aquisições de outras empresas do setor.

O banco adianta que fechou o ano de 2018 em Portugal "com sucesso em todas as rúbricas", sublinhando crescimentos acima dos dois dígitos tanto nos recursos (17% mais do que 2017), como em investimento na carteira de créditos que alcança os 5.400 milhões de euros (12% mais), tendo o crédito às empresas subido 42%.

Todas as margens da conta do banco em Portugal mostram crescimento "de uma magnitude notável" ao longo de 2018 - a margem de juros aumentou 13%, a margem bruta 14% e a margem de exploração 73% -, sublinha a direção do banco.

O presidente executivo do Bankinter Portugal insistiu que a ambição da sucursal é "crescer anualmente em todas as rúbricas".

Alberto Ramos explicou aos jornalistas que foi possível reduzir o rácio de crédito malparado de 7,4% em 2017 para 3,5% no final de 2018 devido, principalmente, à venda de uma carteira de 360 milhões de euros de crédito de cobrança duvidosa no ano passado, o que teve um impacto de 10 milhões no balanço.

O Bankinter Portugal tem 81 agências, número que prevê manter, com um aumento do número de empregados (cerca de 26 pessoas), principalmente para dar resposta ao crescimento necessário na gestão de clientes à distância.

Segundo o responsável, os serviços de banca digital são uma área que está a crescer em todas as empresas do setor, tendo o Bankinter investido 10 milhões de euros anualmente nos últimos três anos para assegurar um aumento dos serviços por internet.

O presidente executivo do Bankinter Portugal salientou o crescimento de 18% em 2018 do número de clientes ativos, que agora são cerca de 172.000.

No relatório de atividade enviado à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) espanhola, o Bankinter sublinha que fechou 2018 com um lucro de 526,4 milhões de euros, um aumento de 6,3% em relação a 2017.

Por outro lado, a rentabilidade do grupo foi de 13,2%, medida através do ROE (rentabilidade sobre o capital investido).

No que diz respeito à qualidade dos ativos, o banco reduziu a taxa de crédito malparado para 2,9%, "menos de metade do setor" em Espanha.

Quanto à sua solvência, o rácio de capital CET1 "fully loaded" registou no final de 2018 uma melhoria de 24 pontos básicos em relação a um ano antes, alcançando os 11,75%, acima das exigências regulatórias estabelecidas para o Bankinter pelo BCE (Banco Central Europeu).

O rácio de depósitos sobre créditos ascende a 93,8% no final do ano passado, 320 pontos base mais do que um ano antes.

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