Autoridades estimam aumento de mulheres refugiadas que se dedicam à prostituição

Um elevado número de mulheres refugiadas em Angola ganha a vida a prostituir-se para garantir o sustento das famílias, devido à falta de emprego e integração social, denunciou hoje o coordenador nacional dos refugiados em Angola, Mussenguele Kopele.

Em declarações à agência Lusa, à margem do encontro "Diálogo sobre o Direito de Asilo: Reflexões sobre os Pactos Globais da Migração", que decorreu hoje em Luanda, o responsável salientou também que centenas de refugiados, entre adultos e crianças, continuam sem documentos.

"O número de mulheres refugiadas a prostituírem-se é grande, porque não há trabalho, não há integração, não há emprego e isso faz com que se registe o aumento da prostituição, bem como da delinquência entre os filhos de refugiados que, na sua maioria, não estuda", disse.

Sem especificar números, Mussenguele Kopele disse ainda que, a par do elevado número de mulheres refugiadas que se prostituem em Angola, a outra preocupação da coordenação tem a ver com a falta de documentos dos familiares.

"Temos filhos de refugiados sem documentos, temos ainda um número de refugiados e requerentes de asilo sem qualquer documento, e dirigimos essas preocupações às instituições governamentais que buscam soluções para tentar minimizar a situação real", apontou.

O coordenador nacional dos refugiados em Angola manifestou-se também preocupado com o "número crescente de casos de doenças", como a tuberculose e HIV/Sida, no seio da população refugiada que controla.

Mussenguele Kopele adiantou também que organização que lidera controla cerca de 3.693 famílias, o que perfaz, explicou, cerca de 15.000 refugiados e requerentes de asilo.

"É um número elevado e muitos deles, pelo facto de não terem documentos, não conseguimos controlar", concluiu.

O debate promovido pela Rede Angolana de Proteção ao Migrante e Refugiado, em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em Angola.

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