Autárquicas/1ano: Contas "em ordem" e investimento marcam ano em Aveiro

Contas em ordem e pagamento das dívidas, a par de um investimento municipal em crescendo, é o que o presidente da Câmara de Aveiro diz ser a "marca de água" do primeiro ano do novo mandato.

Ribau Esteves, que repete pela segunda vez a presidência da Câmara de Aveiro, vinca que "Aveiro tem hoje uma câmara que cumpre os seus compromissos, que tem o seu processo de reestruturação financeira em consolidação e que hoje é um grande investidor em várias frentes".

No entanto, para isso houve "uma reforma profunda e dolorosa", com a extinção das empresas municipais e a saída de 200 funcionários.

"Essa é a grande marca de água deste primeiro ano, em que fizemos a transição de uma câmara cheia de problemas, para uma com as contas em dia, investe e presta serviços de qualidade aos cidadãos", realçou.

Outra leitura faz Manuel Oliveira Sousa, vereador da oposição e líder da concelhia do PS, para quem a marca de Ribau Esteves tem sido a de "centralização de processos" e de "protagonismo inconsequente" e mesmo "teimosia".

Entre os principais momentos de contestação à gestão camarária de Ribau Esteves, está aquele em que grupos informais de cidadãos como o Agrupamento Aberto de Associações de Aveiro (A4) mobilizaram centenas de pessoas, obrigando ao debate do que se vai fazer no Rossio, criticaram a falta de resposta para os animais abandonados como o "Movimento por um Canil Municipal", ou puseram em causa o traçado de uma ciclovia entre a Estação e a Universidade, como o grupo Ciclaveiro.

No Rossio, Ribau Esteves admite que o estacionamento subterrâneo possa não ser feito, mas a construção de um novo canil ficou à espera da solução intermunicipal, mantendo o presidente o seu calendário, e a ciclovia, apesar dos acentuados declives, está já adjudicada.

Manuel Oliveira Sousa reconhece aspetos positivos no primeiro ano de mandato autárquico, como o saneamento financeiro, lembrando que as deliberações tiveram o voto favorável do PS.

Já Ribau Esteves diz que, sob a sua gestão, o principal objetivo está cumprido.

"Neste primeiro ano estamos a acabar o recebimento do empréstimo dos tais 85,5 milhões de euros do FAM [Fundo de Apoio Municipal] e estamos a acabar de pagar a dívida financiada por essa verba. Esse era um objetivo absolutamente fundamental", referiu.

Destacou também o lançamento de "um vasto conjunto de projetos e obras", em parte financiadas por fundos comunitários, mas adverte que "o tempo dos grandes projetos acabou".

O socialista riposta que Ribau Esteves "não tem uma visão estratégica para Aveiro" e acusa-o de fazer a todo o tempo "propaganda veemente sem consequências".

Por seu turno, o presidente sinaliza as prioridades do seu executivo, sendo que no que respeita à requalificação urbana está em curso um investimento de 25 milhões de euros.

Na Educação estão a acabar as obras de reabilitação da EB 2.3 João Afonso e da Secundária Jaime Magalhães Lima, está em curso a nova EB 1 de S. Bernardo e para ser lançada a ampliação do centro escolar de Verdemilho.

Na habitação social enfatiza a nova relação da câmara com os seus 600 inquilinos, quer na cobrança das rendas quer nos apoios sociais, e contabiliza 55 fogos recuperados em Santiago, a reabilitação do respetivo jardim e, em fase de arranque, a reparação das zonas comuns de 20 blocos.

Na Saúde, Ribau Esteves refere o processo das extensões de S. Jacinto e S. Bernardo e o início de obra em Aradas, Oliveirinha e Santa Joana,e ainda o lançamento do projeto para Eixo.

Finaliza com o desenvolvimento económico, assumindo uma postura de "parceria com o investimento privado".

"Falamos de conquista porque o investimento privado é preciso conquistá-lo. Aveiro é uma terra atrativa para os investidores, mas há muito investimento que é preciso disputar com outros municípios", sublinha.

Manuel Sousa quer inovação também na transparência, através de uma plataforma digital onde seja possível acompanhar o investimento municipal desde o seu anúncio até à execução.

Nas autárquicas de 2017, Ribau Esteves conquistou 48,52% dos votos, tendo reforçado a maioria PSD/CDS/PPM e relegado a oposição para três lugares em nove possíveis e todos do PS, que conseguiu 30,97% dos votos.

Lusa / Fim

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