Autarca de Aveiro desafia políticos a serem "mais corajosos e competentes"

O presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves, considerou hoje que Portugal e a Europa precisam de políticos "mais corajosos, mais competentes e que façam o que é preciso fazer sem esperar pela notícia de amanhã".

Em declarações aos jornalistas, à margem da 8.ª Cimeira Europeia das Regiões e dos Municípios, que decorre em Bucareste, na Roménia, desde quinta-feira, Ribau Esteves considerou que os políticos atuais "dependem excessivamente da eleição proximista" e que "os populismos, fundamentalismos e nacionalismos" têm vindo a crescer por falta de competência dos dirigentes.

"Precisamos de políticos mais corajosos, mais competentes e que façam o que é preciso fazer independentemente do bom resultado não vir na notícia de amanhã", defendeu o autarca de Aveiro, acrescentando a convicção de que é preciso "envolver os cidadãos a sério e não em participações de faz de conta".

"Um 'like' [gosto] ou um 'don't like' [não gosto] no 'Facebook' não conta", considerou.

Ribau Esteves, eleito pela coligação PSD/CDS/PPM, falou também das eleições europeias marcadas para maio, mostrando-se preocupado por, pela primeira vez na história da União Europeia (UE), "se correr um risco de não haver facilidade na definição de um quadro partidário que garanta a estabilidade governativa das instituições europeias".

"Mais do que a loucura do 'Brexit', ponho em primeiro lugar na dificuldade da vida política da UE a garantia de uma eleição política estável pós-eleição ao Parlamento Europeu", referiu o presidente da Câmara de Aveiro que, no entanto, sobre a possível saída do Reino Unido da UE disse que esta "atrapalha um bocado a gestão delicada da Europa" devido à perda de um contribuinte líquido.

Já questionado sobre a distribuição de fundos e se considera que os municípios portugueses deveriam ter uma representação em Bruxelas que trabalhasse este tema, Ribau Esteves criticou, em primeiro lugar, "a falta de atenção dada pelos autarcas" a estas matérias, mas falou, também, em "bons exemplos".

"Somos nós autarcas que não dedicamos atenção às iniciativas comunitárias, dedicar tempo com qualidade a estas matérias dá muito trabalho. Mas há bons exemplos. As oito comunidades intermunicipais da Região Centro organizaram-se contrataram uma empresa de 'lobby'. E Aveiro é o primeiro município a ter um projeto aprovado numa iniciativa comunitária muito cobiçada, a Urban Innovative Action", disse.

Em causa está um projeto que, segundo o autarca de Aveiro, envolve 6,1 milhões de euros de investimento com 4,9 milhões de apoio.

Também convidado a comentar o impasse português no processo de regionalização, Ribau Esteves foi claro e direto.

"As regiões têm um peso político em todos os Estados-membros muito mais forte do que os municípios. Não vale a pena pensar o contrário. Um país com regiões, com dimensão político-administrativa, terá no contexto da UE e no Comité das Regiões claramente mais poder do que um país como Portugal, que mantém essa opção reservada aos Açores e à Madeira", concluiu.

A Cimeira Europeia das Regiões e dos Municípios, que acontece de dois em dois anos, foi criada com o objetivo de garantir que os órgãos de poder local e regional contribuem plenamente para os debates mais relevantes na UE.

O Comité das Regiões Europeu, criado em 1994 na sequência da assinatura do Tratado de Maastricht, é a assembleia da UE dos representantes regionais e locais dos 28 Estados-membros, sendo atualmente composto por 350 membros efetivos, 12 deles portugueses.

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