Artes e ciência no feminino e em português encontram-se no Mulherio das Letras

Artes e ciência no feminino vão estar em destaque a partir de hoje num evento intitulado "Mulherio das Letras", que se realiza em Lisboa, reproduzindo um modelo brasileiro, que tem por objetivo divulgar a literatura escrita por mulheres.

O "I Mulherio das Letras de Portugal" vai decorrer até ao próximo dia 10 de março, coincide com o Dia Internacional da Mulher (08 de março), e conta com palestras, comunicações e intervenções de mais de 30 mulheres - escritoras, leitoras, investigadoras, jornalistas e ativistas -, tendo por objetivo contribuir para a difusão da produção cultural e artística de autoria feminina.

Entre as escritoras participantes, contam-se nomes como Maria Teresa Horta (recentemente proposta pela Associação Portuguesa de Escritores como candidata ao Nobel da Literatura 2019), Lídia Jorge, Ana Paula Tavares, Julieta Monginho, Ana Margarida de Carvalho e Rita Taborda Duarte.

Elizabeth Olegário, coordenadora geral do Mulherio, explicou à Lusa que este é um "evento híbrido, que se realiza na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da [Universidade] Nova, e no Palácio Baldaia [em Benfica], tendo uma componente mais académica, mas que conta com a participação de várias artistas, e uma outra componente mais editorial, de lançamento de duas antologias, uma de prosa outra de contos, de várias mulheres, que vêm de Portugal e do Brasil".

A responsável contou que o "'Mulherio das Letras' surgiu no Brasil, na cidade nordestina de João Pessoa, em 2017, por iniciativa de uma escritora brasileira que ganhou o prémio Jabuti, Maria Valéria Rezende, que teve a ideia de realizar o primeiro evento".

"A partir dessa experiência, foi reproduzido em várias cidades brasileiras, chegou à Europa, com eventos a acontecer em França e em Itália, respetivamente nas cidades de Paris e Perúgia".

O Mulherio quer não só fomentar a produção e a divulgação de literatura escrita por mulheres, mas também ser uma "plataforma colaborativa", que possa estabelecer um diálogo entre a academia e a sociedade civil, entre as escritoras e as leitoras e por isso o "trouxemos para Portugal", explicou Elizabeth Olegário.

Outra das iniciativas previstas no âmbito deste evento é "uma exposição de livros escritos por 101 mulheres -- 'Umas pelas outras' - e que vai estar patente [a partir de hoje] até dia 20 de março", disse a organizadora.

"O evento contará ainda com 'pocket shows', atuações breves de cantoras portuguesas e brasileiras, como Maria Anadon e Camila Masiso, que acontecem na mesma sala dos eventos", adiantou, acrescentando ainda que estará montada uma "pequena feira do livro", a partir de hoje.

A edição portuguesa traz uma novidade, que é a participação de representantes de associações que trabalham em projetos de inserção das minorias, como é o caso da Renovar a Mouraria, com o Projecto WEMIN (para integração de mulheres migrantes), a Djass, associação de afro-descendentes, e a Amucip (Associação de Mulheres Ciganas Portuguesas).

"A ideia é dar visibilidade a todas estas realidades que não costumam estar juntas no mesmo sítio": inclusão de minorias, expressões artísticas, divulgação de literatura e de trabalhos académicos produzidos por mulheres, explicou a organizadora.

Neste contexto, Elizabeth Olegário vai ocupar-se de uma mesa, subordinada ao tema "Mulheres e África", que vai dar destaque às comunidades afrodescendentes em Portugal.

Esta "plataforma livre e colaborativa" que o Mulherio das Letras pretende ser, ambiciona tornar-se cada vez maior e "pode ser reproduzida, mantendo a ideia chave de Maria Valéria Rezende".

O Mulherio das Letras -- Portugal abre na Nova com uma atuação musical da cantora portuguesa Susana Travassos, a que se seguirá, entre as 10:00 e as 12:00 de hoje, uma mesa de debate sobre "A mulher e a palavra", com a participação das escritoras Ana Margarida de Carvalho, Lídia Jorge e Maria Teresa Horta e da médica Isabel do Carmo.

A parte da tarde abre com uma atuação musical da cantora portuguesa de jazz Maria Anadon e prossegue com uma mesa sobre a mulher e a imprensa e várias intervenções sobre os percursos femininos na arte.

O dia 08 começa com um espetáculo musical da brasileira Camila Masiso e segue com mesas sobre a integração das minorias e o percurso da mulher pelo século XX e início do século XXI.

Os dias 09 e 10 serão marcados pelas atividades no Palácio Baldaia, com intervenções sobre arte e a palavra, Brasil e Portugal na poesia contemporânea, uma tertúlia de homenagem ao dia da mulher e o lançamento da antologia Mulherio das Letras, com a participação de 60 mulheres do Brasil e de Portugal.

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