Arsenal do Alfeite é hipótese para manutenção de submarinos egípcios -- Ministro Defesa

Lisboa, 17 abr 2019 (Lusa) -- Os estaleiros públicos do Arsenal do Alfeite (AA) foram apresentados no Egito pelo ministro da Defesa Nacional como uma potencial alternativa para assegurar, no futuro, a manutenção dos submarinos da Marinha egípcia, disse hoje à Lusa o governante.

"Os egípcios têm submarinos da mesma classe que os nossos [da classe Tridente]. E como o Arsenal do Alfeite está agora num processo de certificação, de capacitação para fazer a manutenção desses submarinos, (...) temos a possibilidade de oferecer um local para a manutenção dos submarinos egípcios", afirmou, em declarações à Lusa via telefone a partir de Nova Deli (Índia), João Gomes Cravinho.

Antes da visita à Índia, que hoje termina, o ministro esteve no domingo e segunda-feira no território egípcio, naquela que foi, segundo o Ministério da Defesa Nacional, a primeira visita de um ministro da Defesa português ao Egito.

"O chefe do Estado-Maior da Armada egípcia irá em breve visitar Portugal para levar isto para a frente", avançou ainda João Gomes Cravinho sobre a possibilidade de o Alfeite receber os submarinos egípcios, destacando que os estaleiros portugueses poderão representar para as autoridades do Cairo uma oportunidade menos dispendiosa, nomeadamente ao nível do planeamento, em relação aos trabalhos de reparação ou manutenção na Alemanha, país de fabrico.

Ainda sobre a visita ao Egito, e no âmbito de contactos na área da Defesa, o ministro indicou que em setembro, ou até antes, Portugal terá uma reunião com a Organização Árabe para a Industrialização militar, que "é a instituição relevante do ponto de vista dos equipamentos militares da parte egípcia".

Segundo uma nota divulgada no 'site' do Ministério da Defesa Nacional, no primeiro dia de visita, João Gomes Cravinho reuniu-se com o Presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi, para "discutir as relações bilaterais, nomeadamente, como melhorar a cooperação militar, incluindo treinos e exercícios conjuntos, partilhas de experiências".

"Trocaram ainda impressões sobre os desafios na região, como o combate ao terrorismo, a imigração ilegal e a crise de refugiados", indicou a mesma nota.