APCC considera urgente reconhecimento das profissões no setor dos 'call centers'

A Associação Portuguesa de 'Contact Centers' (APCC) considera urgente o reconhecimento das profissões nesta atividade, onde trabalham mais de 100 mil pessoas em mais de uma dezena de setores.

Em declarações à agência Lusa, Jorge Pires, da direção da APCC, referiu que, "pela importância do setor e pela sua dimensão, se calhar já se justificava que as categorias profissionais fossem consideradas como tal, até para efeitos estatísticos".

Isto porque, neste momento, um assistente ou operador de atendimento de um 'contact center' é considerado um operador de registo de dados "que não tem nenhuma ligação com aquilo que são as suas funções efetivamente".

Para o responsável, esta será uma forma de dignificar uma atividade, que tem vindo a sofrer com alguns maus exemplos do passado, mas que neste momento se mantém em franco crescimento e com grandes necessidades de recrutamento.

"Nós, por vezes, temos uma sensação de um tratamento muito injusto para o nosso setor. A preocupação das nossas empresas em assegurar condições aos trabalhadores não é compaginável com o tipo de reputação em Portugal dos 'contact centers', disse.

Entre os 77 associados da APCC, grandes empresas de 'outsourcing' para os mais diversos setores, desde banca, seguros, comunicações e energia, entre outros, em 2018, 34% dos trabalhadores tinham contrato efetivo, 50% contrato a termo e 3% tinham contratos de trabalho temporário.

"Não sei se há muitos setores da economia que se possam se gabar deste desempenho", refere Jorge Pires, referindo que o salário médio dos assistentes ronda os 800 euros.

Questionado sobre o conteúdo da petição entregue pelo Sindicato dos Trabalhadores de 'Call Centers' em 2016 e que será discutida dia 24 de janeiro no parlamento, no sentido de ser considerada como profissão de desgaste rápido, Jorge Pires prefere não comentar o seu conteúdo, mas defende que existe uma "ideia desajustada" sobre as condições de trabalho desta profissão.

"As instalações são mais do que excelentes, espaços arejados, com luz natural, todas as condições ergonómicas, espaço para gozo de intervalos, espaço para refeições e as melhores condições para o exercício da função", referiu.

Para Jorge Pires, ainda assim, se existem casos onde se desrespeitam as condições de trabalho dos trabalhadores, eles são graves e devem ser expostos, mas "na esmagadora maioria isso não existe".

"É uma injustiça dizer-se que este setor é constituído por empresas onde isso acontece. (..) Não posso responder por todos, acredito que algumas das coisas que se dizem possam ser verdade, mas vamos tratá-los como as exceções", disse.

Esta "má imagem" que se tem dado ao setor tem dificultado o recrutamento de profissionais para estas áreas, designadamente em grandes centros urbanos e, por isso, as empresas têm vindo a deslocar-se para outras geografias "pelo país fora".

Segundo o sindicato autor da petição, os 'call-centers', "trata-se de uma profissão sujeita a um grande desgaste, pressão e stress, em geral é mal remunerada, onde predomina a precariedade, o que é mais uma forma de desgaste, pressão e de intimidação".

"Ao contrário do que acontece em outros países, em Portugal o nosso trabalho não é reconhecido como uma profissão pelo que existe um vazio legislativo nesta matéria. É urgente reverter esta situação para garantir o mínimo de dignidade aos trabalhadores de 'call-centers'", lê-se no texto da petição entregue na Assembleia da República em 2016.

O sindicato quer assim consagrar o estatuto de profissão de desgaste rápido para o trabalho em 'call-center', limitar como máximo 75% do horário laboral em linha por jornada de trabalho e garantir direito a seis minutos (10%) de intervalo por cada hora em linha.

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