"Não parece que seja uma circunstância preocupante. A minha sensibilidade, que vale o que vale, porque não tenho nenhuma medição concreta, nem nenhum estudo recente, é que não será nada de transcendente", comentou. .Rui Paiva acrescentou que os resíduos em autocombustão têm algum enxofre e que "o nível de "perigosidade depende claramente daquilo que é a percentagem do enxofre que está a ser queimada e que sai juntamente com os fumos". .Desde outubro que as escombreiras das antigas minas do Pejão estão em combustão interna, fenómeno que as autoridades atribuem ao grande fogo florestal que lavrou em Castelo de Paiva. .A combustão ocorre não à superfície, mas é visível a olho nu em alguns pontos, provocando a emissão de gases com cheiro acentuado a enxofre, o que tem preocupado a população, as autoridades e as associações ambientalistas. .Rui Paiva assinalou hoje à Lusa que o fenómeno que se observa nas escombreiras tornou-se mais preocupante com a ocorrência de chuva que provocou reação com a combustão e provocou vapores.."É esse vapor que acabou por tornar muito mais visível aquele processo de autocombustão, com o cheiro a enxofre. Se não tivesse chovido como choveu, provavelmente aquilo continuaria em combustão lenta", anotou. .Sobre uma solução para a extinção da atual combustão, defendeu que poderá passar por isolar com terra fina as partes da escombreira que se encontram em combustão lenta, para evitar a entrada de oxigénio..Assinalou, contudo, que só o estudo que foi realizado recentemente pela Empresa de Desenvolvimento Mineiro é que poderá ditar, em concreto, a solução mais eficaz para o problema..O antigo diretor das minas, cargo que exerceu durante 25 anos, recordou hoje à Lusa que, em 1995, quando se procedeu aos trabalhos de desativação da extração de carvão, houve o cuidado de acautelar à estabilidade dos resíduos.."Nós quando encerrámos a mina tivemos um cuidado muito grande com as entulheiras, mas foi essencialmente na lógica da sua estabilidade", afirmou, indicando que "foi uma intervenção bem pensada e com alguma dimensão, criando patamares, criando alturas razoáveis, nesse contexto e com essa preocupação"..Rui Paiva acrescentou que, à data, "não se equacionou [a questão da autocombustão], tendo em conta que a dimensão dos resíduos de carvão era tão pequena".."Nós fazíamos um aproveitamento muito grande do material que saía da mina e só rejeitávamos aquilo que era de rejeitar", vincou..Questionado pela Lusa sobre o eventual perigo de os resíduos contaminarem as linhas de água mais próximas, incluindo o rio Douro, que passa a poucas centenas de metros, respondeu:."Não há o perigo de as entulheiras se desintegrarem. Mesmo durante toda a fase de depósito dos resíduos saídos da mina, havia sempre uma preocupação grande de estabilidade"..À Lusa, Rui Paiva assinalou que aquela preocupação com a estabilidade foi mantida na fase de desativação da exploração, precisando ter estado recentemente no local e não ter observado qualquer problema a esse nível.