AEP lança 5.ª feira em Bragança plataforma de suporte ao investimento no Norte

Uma plataforma eletrónica com "dados socioeconómicos detalhados" de 407 áreas empresariais do Norte, desenvolvida no âmbito do projeto N-Invest, da Associação Empresarial de Portugal (AEP), fica a partir de quinta-feira operacional para dinamizar o investimento na região.

Segundo adiantou à agência Lusa fonte da AEP, a plataforma N-Invest (disponível online) visa permitir "a potenciais investidores percecionarem a realidade de cada um dos 86 municípios" do Norte e foi elaborada na sequência de uma "estreita complementaridade com as comunidades intermunicipais, autarquias e associações empresariais da região".

O objetivo é "fixar empresas e atrair novos negócios" nas oito NUTS (Nomenclatura das Unidades Territoriais para fins Estatísticos) do Norte do país, "região que gera mais emprego em Portugal (35%) e que representa 40,2% das exportações de bens".

O arranque da nova ferramenta 'online' é assinalado na quinta-feira com uma primeira sessão regional de apresentação pública, em Bragança, num encontro que reunirá o vice-presidente da AEP, Luís Miguel Ribeiro, o presidente da câmara de Bragança, Hernâni Dias, e o presidente da Câmara de Miranda do Douro e da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes, Artur Nunes, para além de empresários, potenciais investidores, agentes de desenvolvimento e autarcas.

Complementarmente à informação constante nesta plataforma, o projeto N-Invest disponibilizará ainda um gabinete de apoio ao investidor, através do qual prestará aconselhamento personalizado aos empresários - nacionais e estrangeiros - que pretendam investir na região.

Até fevereiro, todas as funcionalidades da plataforma N-Invest serão apresentadas num 'roadshow' por 16 municípios da região Norte, "permitindo a todos os agentes políticos e económicos perceberem as potencialidades desta ferramenta, facilitando as decisões de investimento para o território".

O projeto N-Invest prevê um investimento total de 985 mil euros, financiados a 85% pelo FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), e "combina o mapeamento, a caracterização e a classificação" das 407 áreas empresariais da região Norte com a disponibilização de um observatório (de informação socioeconómica e empresarial) e da plataforma eletrónica (com dados sobre toda a "oferta pertinente") permanentemente atualizados.

A iniciativa foi apresentada no passado mês de maio e propõe-se colmatar as atuais "debilidades associadas à ausência de uma estratégia territorial conjunta" sentidas na região, que apresenta ainda uma "elevada dispersão do tecido empresarial fora das áreas de acolhimento empresarial".

Entre os principais objetivos do N-Invest são destacados a atração e fixação no Norte de novas empresas e negócios, a criação de valor acrescentado, a geração de emprego, o estímulo à competitividade empresarial e o fomento de uma "estreita ligação" entre associações empresariais, organismos públicos e instituições do setor científico e tecnológico.

Pretende-se ainda "provocar um efeito de arrastamento na economia portuguesa", aumentado "a coesão económica, social e territorial", reforçando sinergias e estimulando a colaboração entre os principais agentes envolvidos.

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