Acordo político para fusão de seis partidos de poder na Costa do Marfim

Os dois maiores partidos que formam a coligação governamental na Costa do Marfim, que engloba mais quatro outras forças, chegaram a um acordo político para uma unificação, noticia hoje a imprensa costa-marfinense.

A decisão surgiu na terça-feira na sequência de uma reunião de duas horas no Palácio Presidencial de Abidjan entre o chefe de Estado marfinense, Alassane Ouattara, tendo ficado decidido que o novo partido vai adotar o atual nome da coligação no poder, Reagrupamento dos Houphouetistas para a Democracia e para a Paz (RHDP).

O nome do novo partido alude ao antigo Presidente da Costa do Marfim, Félix Houphouet-Boigny, conhecido popular e localmente como "Papá Houphouet, o Velho", que presidiu o país entre 1960, ano da independência, e 07 de novembro de 1993, dia em que faleceu, aos 88 anos.

"Tivemos, o presidente Bédié e eu, um bom encontro. Trabalhámos quase duas horas e preparámos um projeto de comunicado que será imediatamente distribuído à imprensa", limitou-se a dizer Ouattara, ao lado de Bédié.

Além do nome da nova força política, nada mais foi adiantado sobre uma eventual data de oficialização da unificação entre o PDCI e o Reagrupamento dos Republicanos (RdR), um movimento de tendência presidencialista.

A 05 de maio próximo, em Abidjan, o RdR vai realizar um congresso extraordinário para analisar a unificação e as questões a ela associadas, nomeadamente os membros para o comité de alto nível, que integrarão responsáveis dos dois partidos, bem como dirigentes das outras quatro forças políticas da coligação.

Reunido durante as duas últimas semanas de março, o "comité de alto nível", liderado pelo vice-Presidente da Costa do Marfim, Daniel Kablan Duncan (do PDCI), já remeteu as conclusões a Ouattara e a Bédié.

Além do RdR e do PDCI, integram a coligação governamental a União para a Democracia e para a Paz da Costa do Marfim (UDPCI, de Alnbert Mabri), Movimento das Forças do Futuro (MFA, de Azoumana Moutayé), Partido Marfinense dos Trabalhadores (PIT, de Joseph Séka Séka) e União para a Costa do Marfim (UCI), que deverão juntar-se também à RHDP.

Segundo fontes citadas hoje pela revista Jeune Afrique, o PDCI impôs várias condições, nomeadamente a definição de uma fase transitória de 18 meses, durante a qual o RHDP será organizado em torno de uma federação de partidos.

Após o período transitório, os mesmos partidos deverão decidir se aceitam autodissolver-se em favor do RHDP.

O primeiro-ministro marfinense, Amadou Gon Coulibaly, considerou que este arranjo permitirá amenizar as eventuais divergências ainda existentes, gerar a união e avançar em conjunto para as presidenciais de 2020.

No entanto, referem as fontes citadas pela revista de cariz africano, o PDCI pretende também impor uma personalidade do partido como candidato à votação de 2020, assunto sobre o qual Ouattara ainda não se pronunciou.

O chefe de Estado, porém, espera que a primeira etapa do partido unificado esteja concluída antes de agosto deste ano, permitindo concentrar esforços muito antes das presidenciais.

As informações dos dois maiores partidos são ainda confusas, uma vez que uns dizem que Ouattara poderia apresentar-se novamente como candidato e outros que o atual chefe de Estado poderá confiar essa tarefa a uma personalidade próxima do PDCI.

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