Região de Aveiro candidata barco moliceiro a Património da Humanidade

O processo foi lançado em 2019 e contou com o apoio técnico do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo que sustenta o caráter "altamente diferenciador" da embarcação na cultura ribeirinha a nível internacional.

A Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) formalizou junto da UNESCO a candidatura do barco moliceiro e a construção naval na Ria a Património da Humanidade em 2023, revelou esta quinta-feira fonte intermunicipal.

O processo foi lançado em 2019 e contou com o apoio técnico do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo que sustenta o caráter "altamente diferenciador" da embarcação na cultura ribeirinha a nível internacional.

A ser aprovada a candidatura, com a qual a CIRA espera conquistar fluxos turísticos, será o primeiro "selo UNESCO" na região, aumentando a sua notoriedade.

"Temos uma boa candidatura e, feita a apresentação formal, agora segue-se um conjunto de diligências com as Nações Unidas para a sua análise e esperamos que a sua aprovação se possa concretizar bem e o mais breve possível para termos essa classificação", disse Ribau Esteves, presidente da CIRA.

O autarca sublinha que a candidatura associa ao barco moliceiro "a carpintaria naval das várias embarcações da Ria de Aveiro".

Um dos aspetos singulares dos barcos moliceiros são as pinturas da popa e da ré: "a proa é a parte monumental do moliceiro, em que figuras, desenhos e legendas são exclusivos, sem igual em qualquer tipo de navegação conhecido", escreveu Jaime Vilar, em livro dedicado àquela embarcação.

Nesse trabalho classifica as legendas da proa em "satíricas, humorísticas e eróticas", "religiosas", "românticas, brejeiras e pícaras", "profissionais, morais e históricas".

O mesmo autor, baseando-se em dados colhidos junto dos artífices, descreve que um moliceiro mede, em média 15 metros de comprimento (...), desloca cerca de cinco toneladas e tem o fundo plano e de pouco calado, pormenor que lhe permite navegar por onde barcos de quilha não passam".

Na década de 70 do século XX estavam registados três mil barcos moliceiros a operar na Ria de Aveiro, sendo que subsistem apenas 50 embarcações, metade das quais afetas à exploração turística nos canais urbanos da Ria.

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